
Do total inventariado, 3.600MW dizem respeito à possibilidade de aproveitamentos hidrelétricos de porte médio (entre 30MW e 250MW) e o restante a pequenas centrais hidrelétricas (PCHS). Os números foram levantados pelo Comitê Brasileiro Barragens (CBDB) junto à Aneel. Isso significa que uma usina equivalente em tamanho a 30% de Itaipu, a segunda maior hidrelétrica do mundo, pode ser ativada a partir das águas que correm pelos rios do estado.
Os maiores aproveitamentos hidrelétricos encontram-se nas bacias dos rios Jequitinhonha (575MW), Doce com dois (400MW) e São Francisco (840MW). Os aproveitamentos do Rio Paranaíba (74MW) entre Minas e Goiás, e do Rio São Francisco (209MW) estão com os estudos de viabilidade em análise na Aneel e têm previsão de entrar em operação a partir de 2019.
De acordo com Plínio Ferreira, diretor da Associação Brasileira de Fomento às Pequenas (Abrapch), que realiza hoje, em Belo Horizonte, o terceiro capítulo da série de encontros Futuro das PCHS, no auditório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MG), somente em PCHs o estado poderá ter 5.000MW instalados em 10 anos, o que significaria uma capacidade de atendimento de uma região onde vivem 15 milhões de pessoas. Hoje, existem 101 PCHs em operação no estado, seis em construção e 199 projetos em diversas fases na agência reguladora. “Nossa luta é contra os entraves, as mudanças de regulação e as dificuldades existentes dentro da Aneel para liberar cerca de 2.100MW”, explica.
O problema é que os projetos de PCHs dificilmente saem do papel. Segundo Ricardo Aguiar Magalhães, diretor regional do CBDB em Minas, isso ocorre por causa da concorrência com a implantação de usinas eólicas e térmicas no país, que recebem incentivos governamentais para a diversificação da matriz elétrica brasileira. “O Operador Nacional do Sistema Elétrico e a Aneel sabem muito bem quais usinas serão feitas primeiro, a partir de um ranking de custos do MW/hora. O projeto que sai primeiro é aquele que tem o MW mais barato”, diz.
Hoje, a Abrapch realiza, na sede do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MG), o terceiro capítulo da série Futuro das PCHs, que tem o objetivo de debater o processo de retomada dos investimentos nessas pequenas usinas no país. “Se houver um programa de estímulo, em três ou quatro anos podemos pôr entre 4.000MW e 5.000MW em operação em Minas, com investimentos estimados de R$ 7 bilhões”, diz Plínio Pereira.