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Estado de Minas

Startup ContaAzul recebe aporte de R$ 100 mihões

Nascida no Vale do Silício, empresa brasileira de 'contabilidade na nuvem' entra no radar de um dos maiores gestores de tecnologia do mundo e agora sonha em abrir o capital


postado em 26/04/2018 12:00 / atualizado em 26/04/2018 13:11

Escritório da ContaAzul em Joinville: desde 2012, mais de 800 mil empresas foram atendidas (foto: Divulgação )
Escritório da ContaAzul em Joinville: desde 2012, mais de 800 mil empresas foram atendidas (foto: Divulgação )

São Paulo – O IPO da PagSeguro deixou claro o potencial do mercado de micro e pequenas empresas e empreendedores – um exército de mais de 10 milhões de CNPJs espalhados por todo o país que haviam sido relegados pelas grandes adquirentes.

A ContaAzul, uma startup de Joinville, quer ser uma espécie de “Moderninha” do mercado de software de gestão empresarial (ERP), oferecendo planos que variam de R$ 39 a R$ 279 por mês voltados para empresas com um até 20 funcionários.

Nesse nicho de mercado não existe a concorrência das gigantes SAP e Oracle. A Totvs, que atinge empresas de porte médio, também tem tido dificuldade em prosperar ali, deixando a concorrência da ContaAzul na mão de pequenos fornecedores pouco profissionalizados, muitos deles ainda adeptos da mera caderneta de papel ou do Excel.

"Fizemos um longo processo para mostrar que agregamos valor para os contadores" - Vinícius Roveda, CEO e fundador da ContaAzul (foto: Divulgação)

Fundada em 2011, a ContaAzul não divulga faturamento nem o número de clientes pagantes, mas acaba de conquistar um investidor de peso. No início do mês, o Tiger Global, um dos maiores gestores focados em tecnologia do mundo, liderou uma rodada de investimentos de R$ 100 milhões, a maior já conquistada pela companhia.

Entre 2010 e 2015, o Tiger investiu em mais de uma dezena de startups brasileiras e fez grandes aportes na Netshoes, B2W e 99, e mais recentemente no Nubank. Em 2015, o Tiger já havia feito um aporte de R$ 20 milhões liderado pela Ribbit Capital. “Eles entraram para sondar nosso modelo de negócio e gostaram do que viram”, diz Vinícius Roveda, de 37 anos, CEO e fundador do negócio.

Roveda nasceu no interior do Rio Grande do Sul e se mudou para Joinville aos 17 anos para cursar ciência da computação. A ideia da ContaAzul veio quando ele trabalhava como desenvolvedor em empresas pequenas e viu a dificuldade dos empreendedores para tocar o negócio e controlar a parte burocrática e financeira.

Enquanto trabalhava de dia e fazia MBA em gestão à noite, virou madrugadas desenvolvendo uma solução voltada para este tipo de cliente. Lançou a Ágil ERP, que tinha um modelo já disruptivo: o software era oferecido na nuvem, com um esquema de mensalidade, ao contrário dos outros programas voltados para esse público e comercializados por meio de licenças pagas na entrada. Mas o software ainda era pouco intuitivo e o principal problema era a distribuição.

A sorte virou em 2011, quando ele e os sócios José Sardagna, um colega dos tempos de faculdade, e João Zaratine, que tinha sido seu estagiário, foram selecionados por uma aceleradora para passar quatro meses no Vale do Silício.

A ContaAzul saiu do Vale com um aporte da Monashees, e meses depois levantou outra rodada da Ribbit Capital. Até agora, a startup já levantou cerca de R$ 150 milhões, de acordo com relatório do Bradesco, que lista a companhia como uma das fintechs mais promissoras do país. A lista de investidores inclui ainda a Valar Ventures, de Peter Thiel, fundador do PayPal, e a Endeavor Catalyst, que entrou na última rodada.

A experiência no Vale foi transformadora. A ContaAzul simplificou sua interface de forma a torná-la intuitiva. Agora, o usuário pode emitir boletos, fazer o controle financeiro, controle de estoque, tirar relatórios e centralizar as informações que vão para o contador. Um app no smartphone permite acompanhar as vendas em tempo real. Para os casos em que o usuário precisa de ajuda, há uma equipe de suporte, treinada para conversar de forma natural e sem script.

CONTABILIDADE FACILITADA Em vez de revendas, a força de vendas do ContaAzul são os escritórios de contabilidade – os contadores ganham uma comissão por cliente, que vai aumentando de acordo com o número de assinantes adicionados. O incentivo vem também na forma de produtividade: os contadores têm software próprio desenvolvido pela ContaAzul que centraliza as informações dos clientes que usam a solução, e facilita os fechamentos contábeis.

“Fizemos um longo processo para mostrar que agregamos valor para os contadores”, diz Roveda. “Cerca de 90% do tempo deles era usado para coletar e bater informações. Com o sistema, eles fazem ações mais estratégicas, como ajudar a planejar o fluxo de caixa.”

Desde 2012, mais de 800 mil empresas foram atendidas pela companhia e atualmente cerca de 2 mil usuários são adicionados à base a cada mês. Uma parceria-piloto com o Banco do Brasil, que vai na direção do conceito de open banking, permite que o cliente veja suas movimentações detalhadas direto no ContaAzul. Num segundo momento, ele poderá fazer transações bancários direto no software, sem entrar no app do banco.

Em tese, a parceria com o BB pode ser usada para dar acesso aos dados de saúde financeira do cliente e ajudar a medir seu risco de crédito, precificando melhor empréstimos para capital de giro.

Vinícius Roveda trabalha para levar a ContaAzul à bolsa num horizonte de três a cinco anos. Celso Nunes, que foi diretor da Locaweb na época em que a companhia planejava seu IPO (que acabou não saindo), foi contratado no ano passado como diretor financeiro. O sonho grande é que a ContaAzul vire a maior plataforma de “cloud accounting” (ou contabilidade na nuvem) do mundo, superando a Xero, uma neozelandesa que se listou na bolsa australiana em 2007 e hoje vale US$ 3,4 bilhões.



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