
Tem base?!
Vestidos de salvadores, semeiam dúvidas sobre consensos científicos centenários
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Tenho tanta certeza que tô na dúvida aqui…Então, vou deixar um talvez definitivo, ok?!
Essa preciosa frase, do amigo Juarez Formigão, que virou estrela, expressa com precisão as decisões recentes do procurador-geral da República, acatadas pelo STF. Na dúvida, favorece-se o mentiroso!
Como diríamos em Ibiá: Tem base?! Juridicamente, talvez. Ética e moralmente, jamais. Eis aí um talvez definitivo.
O batom na cueca ou na estátua são equivalentes? Talvez? Você hesitaria? Eu hesitaria. Confesso sem pudor que, diante de uma estátua radicalizada, obsessiva e de unhas pintadas de verde e amarelo, eu me absteria do ritual mínimo e bateria em retirada. Fui! E não retorno. Não há tornozeleira que me prenda a essa estátua maquiada. Frígida e insaciável, a Justiça tropeça novamente na tornozeleira da incoerência.
Ou é ou não é!
E a vacina fake? Inocente ou culpado? Perdeu a validade e foi arquivada. Pela primeira vez, presenciei uma vacina transformar-se em pizza. Ou melhor, não era uma vacina, mas um mero crime cibernético perpetrado e denunciado por um bajulador indiscreto.
Mas era uma "vachina", Carlos! Ah, sim, aí tudo é permitido para não virar jacaré. Seriam apenas 350 mil sepulturas a menos de brasileiros invisíveis, resultado da negligência, mentira, irresponsabilidade e péssimo exemplo.
Segundo a OMS, no primeiro ano de vacinação, 20 milhões de óbitos foram evitados globalmente, considerando dados de 185 países. Por aqui, optamos por gerar empregos para coveiros.
Historicamente, as vacinas aumentaram a expectativa de vida em mais de 30 anos - triplicando o impacto dos antibióticos. Com imunização não se brinca, especialmente quando se trata de alguém que deveria dar bom exemplo. Marcou gol contra e ainda pleiteia anistia. O gol contra está registrado e confirmado pelo VAR - Vai Agora ser Réu.
No cercadinho, o Messias dispara sua metralhadora de fake news. De dentro de sua zona de conforto, vale tudo para manter-se sob os holofotes. Mesmo atuando completamente fora das regras, ele acredita que seu próprio código, próximo ao MMA, justifica qualquer ação.
A ciência avança enquanto o negacionismo retrocede. Nas sombras da ignorância, proliferam teorias conspiratórias sobre chips implantados e alterações genéticas. O medo irracional sobrepõe-se à razão, enquanto milhares sucumbem à desinformação.
Em tempos de pandemia global, testemunhamos o surgimento de uma nova categoria de líderes: os profetas do caos. Vestidos de salvadores, semeiam dúvidas sobre consensos científicos centenários. A história os julgará não apenas por suas ações, mas principalmente por suas omissões.
O negacionismo vacinal transcende fronteiras. De Washington a Brasília, de Londres a Manila, governantes transformaram a saúde pública em palanque político. Enquanto isso, o vírus, alheio a ideologias, continua sua marcha implacável.
Mentir e matar pode? Não, não pode. Mas a justiça maquiada intoxica-se e escorrega na incoerência.
Entre os diversos crimes cometidos pelo ex-presidente, atual candidato a presidiário, destaca-se como inafiançável e imprescritível a negligência na aquisição de vacinas. Somam-se a isso os cartões falsificados de vacinação, inclusive de sua própria filha. Apesar das evidências abundantes e declarações jocosas registradas pela imprensa, o crime foi arquivado.
A pandemia revelou não apenas nossa vulnerabilidade biológica, mas também moral. Enquanto alguns países coordenavam esforços globais de vacinação, outros transformavam o tema em circo político. O resultado? Uma cicatriz histórica que carregaremos por gerações.
A verdade, como a vacina, nem sempre é palatável, mas é sempre necessária. O negacionismo científico, travestido de liberdade de escolha, cobrou seu preço em vidas. Quantos brasileiros poderiam ter sido salvos se a vacinação tivesse sido priorizada desde o início?
No tribunal da história, não haverá tornozeleiras eletrônicas nem habeas corpus. O veredito será implacável: escolhemos líderes que preferiram o espetáculo à ciência, o aplauso fácil à responsabilidade, o negacionismo à vida.
E assim, entre estatísticas e epitáfios, entre fake news e evidências científicas, seguimos tentando entender como chegamos até aqui. Tem base? Talvez. Mas certamente não tem perdão.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.