De acordo com relatos de algumas pessoas que tiveram uma experiência de quase-morte, um “filme” da sua história de vida passa diante de seus olhos antes de você partir deste para outro plano. Mesmo sendo uma ideia bastante difundida, havia até agora poucas pesquisas ou evidências científicas que comprovassem essa teoria.
Leia Mais
Médico explica possíveis diagnósticos para o problema que afetou Sthe MatosAté OAB entra no debate que polariza saúde mental na capital e no estadoCirurgia plástica, saiba a importância do profissional adequado Estudos comprovam que COVID-19 pode gerar lesões muscularesVacina da COVID não causou mal súbito em jornalista da Alterosa, diz médico
Inicialmente, o intuito do cientista Raul Vicente, da Universidade de Tartu, na Estônia, e seus colegas, era detectar convulsões do paciente por meio de uma eletroencefalografia contínua (EEG), o que foi fundamental para coletar os dados cerebrais no momento da morte. “Medimos 900 segundos de atividade cerebral perto do instante da morte do paciente”, explica o neurocirurgião Ajmal Zemmar, da Universidade de Louisville.
O médico esclarece que, após o ocorrido um foco específico foi estabelecido para investigar exatamente o que aconteceu nos 30 segundos antes e depois que o coração parou de bater. Foi Zemmar quem organizou o estudo e revela: “Pouco antes e depois que o coração parou de funcionar, vimos mudanças em uma faixa específica de oscilações neurais, as chamadas oscilações gama, mas também em outras oscilações delta, teta, alfa e beta.”
As chamadas oscilações gama correspondem às funções cognitivas como concentração, sonhos, meditação, recuperação de memória e processamento de informações. Foi graças a percepção das mudanças dessas oscilações, que Zemmar chegou à conclusão o cérebro pode, sim, estar reproduzindo uma última lembrança de eventos importantes da vida pouco antes da morte.
“Essas descobertas desafiam nossa compreensão de quando exatamente a vida termina e geram importantes questões subsequentes, como aquelas relacionadas ao momento da doação de órgãos”, ressaltou o profissional. Por se tratar de um único experimento e da análise do cérebro de um paciente que havia sofrido lesão, convulsões e inchaços, não é possível tirar conclusões certeiras, porém, Zemmar e os outros pesquisadores estão esperançosos para investigar outros casos e conferir resultados.
"Como neurocirurgião, às vezes lido com a perda. É indescritivelmente difícil dar a notícia da morte a familiares arrasados. Algo que podemos aprender com esta pesquisa é: embora nossos entes queridos tenham fechado os olhos e estejam prontos para nos deixar e descansar, os cérebros deles pode star revivendo alguns dos melhores momentos que viveram", concluiu.