O Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu em um relatório publicado nesta quarta-feira que a zona do euro continua em perigo e pediu aos europeus para que estabeleçam o quanto antes uma maior união bancária, solicitando especificamente ao Banco Central do bloco para que atue contra a crise através da injeção de mais liquidez.
"A crise econômica na zona do euro alcançou um nível crítico que gera dúvidas sobre a continuidade do grupo", advertiu o Fundo. "Os laços negativos entre as finanças dos estados, os bancos e a economia real são mais estreitos que nunca", prossegue a instituição com sede em Washington, que recomenda o estabelecimento imediato de uma união bancária na zona do euro.
Segundo o FMI, "os avanços nesta direção da reunião de 28 e 29 de junho são bem-vindos, mas é preciso acelerar as reformas".
Para o organismo, o Banco Central Europeu teria que proporcionar defesas contra a escalada da crise, com um programa de injeção de liquidez.
Trata-se, segundo o FMI, de aplicar uma política de "flexibilidade quantitativa" com um programa de compra de bônus da dívida soberana. A instituição recomenda assim novas operações de empréstimo a curto prazo aos bancos europeus (as chamadas LTRO).
"Levando em conta que a inflação está fraca e tende a diminuir, o BCE pode reduzir suas taxas de juros e tomar outras medidas não convencionais visando reduzir a pressão sobre alguns mercados", diz o relatório.
O FMI considera ainda que a zona do euro teria que reforçar sua integração orçamentária através de "formas limitadas, mas evoluídas de mutualização da dívida", de acordo com um relatório da instituição publicado nesta quarta-feira.
O organismo pede, entre outras coisas, pela criação dos "eurobills" (Bilhetes do Tesouro da zona do euro), que mutualizariam títulos da dívida emitidos a curto prazo pelos países da zona do euro, e pela criação de um fundo de reembolso da dívida.