
Como sobreviver a festas e recepções com bufê escasso? Convidado mineiro que se preze já aprendeu com a peça homônima, clássico dos palcos de BH assinado por Ângelo Machado e interpretada pelo ator Carlos Nunes. O desafio da vez se impõe aos bufês: como sobreviver a festas e recepções escassas ou de baixo orçamento em tempos de crise? Às vésperas das comemorações de fim de ano, época tradicionalmente lucrativa para o segmento, a previsão é de vacas bem magras, informa o Sindicato Intermunicipal das Empresas de Bufê de Minas Gerais (Sindibufê). Atravessar o momento difícil, avisa a entidade, é façanha para quem tempera os negócios com bastante criatividade.
Segundo o presidente do Sindibufê, João Teixeira, o maior baque do setor tem sido registrado na seara dos eventos corporativos. A demanda pelo serviço caiu 50% entre 2017 e este ano. A queda no volume de contratos assinados por pessoas físicas no mesmo período foi menor, mas chega a 30%. Houve ainda significativa redução no valor médio dos orçamentos fechados. Segundo Teixeira, os festeiros deste ano estão dispostos a gastar de 15% a 25% menos que os de 2017.
O cenário atual contrasta com aquele desenhado pelos números de 2015, quando o sindicato registrou 500% de crescimento do mercado mineiro de eventos nos 12 anos anteriores. João Teixeira situa a expressiva queda na procura pelos bufês partir de 2016, sobretudo em função da instabilidade política e econômica que marcou o país nos últimos anos. Para o dirigente, tal conjuntura reduziu a confiança da clientela – principalmente a corporativa – no mercado. "Diante da incerteza sobre o futuro, muitas empresas decidiram suspender os gastos com festas ou reduzi-los drasticamente. Após as eleições de outubro, chegamos a fazer projeções mais otimistas para este fim de ano, como base em fatores como a estabilização momentânea do câmbio e a alta da bolsa. Mas elas não se concretizaram". comenta
"Para se ter uma ideia, até mesmo as celebrações acertadas com antecedência pelos clientes estão sendo revistas, ajustadas a orçamentos cortados de última hora"
João Teixeira, presidente do Sindibufês
O presidente do Sindibufê aponta o crescimento da informalidade na área dos empreendimentos festivos como outro fator responsável pela crise. Com menos recursos disponíveis para as celebrações, parte da clientela teria optado por estabelecimentos e serviços marginais. “É uma concorrência desleal, pois essas empresas não registram seus empregados, não emitem nota fiscal. Ou seja: não arcam com os custos da burocracia e dos impostos, portanto podem oferecer preços que, para nós, são impraticáveis. Esses negócios também não passam pelo crivo da vigilância sanitária, o que pode comprometer a saúde do consumidor. Driblar tantos obstáculos impostos pela crise tem exigido de nós muita inventividade”, observa o líder da instituição sindical, que reúne cerca de 36 associados.
Baile da sobrevivência
O coffee break acabou se transformando em coquetel, promovido por outro estabelecimento disposto a oferecer soluções criativas a preços mais módicos. “Considero que, no fim das contas, fizemos bom negócio. Encontramos uma empresa nova no mercado, especializada em coxinhas gourmet. Conseguimos economizar e, ao mesmo tempo, surpreender os convidados, que puderam degustar coxinhas de sabores inusitados, como queijo brie com molho de tangerina”, pondera a empresária.
Festas em domicílio
As estratégias adotadas, contudo, não conseguiram evitar reveses como a dispensa de funcionários.
"De três anos para cá, demiti cerca de 10% do meu pessoal. Foi inevitável", lamenta o empresário.
Túlio Pires, proprietário do Rullus Buffet
Voltado a eventos de menor porte, o Bufê Berenice Guimarães brinda algo raro para o atual contexto econômico: um ano de poucos prejuízos e agenda preenchida até fevereiro de 2019. A proeza, no entanto, exigiu algumas concessões a favor do bolso do consumidor. “Para além das adaptações de cardápio e outras inventividades, nós atendemos a muitos ‘choros’. Demos descontos, flexibilizamos prazos para pagamentos e concedemos parcelamentos mais acessíveis. Valeu a pena”, comemora Fernanda Quinan. Ela e a mãe tocam o Berenice Guimarães há cerca de 30 anos.
DIETA FORÇADA
50%menos eventos corporativos entre 2017 e 2018
30%
menos eventos promovidos por pessoas físicas
15 a 25%
redução no valor dos orçamentos fechados
Fonte: Sindibufês/MG
