O goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza começou a dar aulas de futebol para crianças e adolescentes na manhã desta segunda-feira no Núcleo de Capacitação para Paz (Nucap), em Varginha, no Sul de Minas. O benefício foi concedido ao goleiro na última quarta-feira (2), pelo juiz da 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais de Varginha. Bruno Fernandes chegou ao Nucap por volta de 6h30 desta segunda-feira e permaneceria na unidade até as 17h.
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A Secretaria de Administração Prisional de Minas Gerais (Seap) confirmou a saída do goleiro do Presídio de Varginha. Conforme previsto no regime fechado, no qual o goleiro está inserido, Bruno deixou o local com uma equipe do Nucap.
Redução da pena
A autorização externa de trabalho no Nucap, além de contribuir para a ressocialização, também vai contar para remição da sentença. A cada três meses, a entidade terá que encaminhar controle de frequência e listagem de atividades desenvolvidas pelo goleiro, comunicando à Justiça qualquer irregularidade.
O Nucap atende reeducandos e suas famílias, além de egressos do sistema prisional. A instituição apoia a reinserção social e a recuperação dos condenados, de forma a contribuir para a redução da reincidência no crime. Cerca de 60 crianças, filhos de condenados e de egressos, são atendidas. No local, elas recebem alimentação e reforço escolar. Também participam de atividades como natação e futebol, além de atendimento psicológico e assistência social.
Segundo o despacho do juiz, o goleiro tem bom comportamento e não apresenta alteração psicopatológica. “O reeducando deve se inserir em atividades laborativas com o fito de recuperação de sua dignidade”, diz o documento.
Em 8 de março de 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão, dos quais 17 anos e seis meses em regime fechado, por homicídio triplamente qualificado. O goleiro havia deixado a cadeia em 24 de fevereiro, depois que o ministro Marco Aurélio deferiu um pedido de soltura feito pela defesa.
Pouco depois, assinou contrato com o Boa Esporte, de Varginha, no Sul de Minas, em uma negociação cercada de polêmica, que levou ao afastamento de todos os patrocinadores do clube. Bruno ficou preso por seis anos e sete meses, desde julho de 2010, inicialmente por medida cautelar e depois preventiva, após ser apontado como mandante do sequestro, cárcere privado e morte de Eliza Samudio, em junho daquele ano.
Em 25 de abril, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu revogar a soltura do atleta concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello. No mesmo dia ele se entregou em uma delegacia de Varginha, mas foi liberado por não ter nenhum mandado de prisão expedido. Dois dias depois, quando o documento já havia sido expedido, ele voltou a se entregar na Delegacia Regional da cidade.
(Com informações de Sander Kelsen/ Tv Alterosa Varginha.)
(RG)
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