Jornal Estado de Minas

Minas terá o primeiro banco público de sangue de cordão umbilical e placentário

Junia Oliveira
Material será recolhido de bebês que nascerem no Sofia Feldman e Previdência - Foto: Adair Gomez/Hemominas
Minas vai fortalecer a rede de esperança de quem aguarda um transplante de medula óssea. A Fundação Hemominas inaugura nesta quinta-feira o primeiro banco público de sangue de cordão umbilical e placentário (BSCUP) do estado. Instalado na sede do Centro de Tecidos Biológicos de Minas Gerais (Cetebio), em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, será o maior centro público integrado de tecidos biológicos da América Latina. O banco faz parte da Rede BrasilCord e é o 13º a ser inaugurado no país, sob a coordenação do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

O BSCUP vai constituir acervo e disponibilizar unidades de células-tronco para o tratamento de pacientes portadores de doenças hematológicas, onco-hematológicas, imunodeficiências, doenças genéticas hereditárias, tumores sólidos e doenças autoimunes. Essa é a primeira fase do Cetebio, que contará com outros seis bancos: medula óssea, pele, sangues raros, tecidos musculoesqueléticos, membrana amniótica e tecidos cardiovasculares. A expectativa é de que a implantação seja concluída em 2016.

Diretor técnico-científico da Fundação Hemominas, Fernando Basques ressalta que, diferentemente do que ocorre em bancos privados, o material recolhido será fruto de doação e servirá para salvar a vida de qualquer pessoa – há um cadastro nacional único de pacientes à espera de transplante, ligado a um banco internacional.
O armazenamento é feito no anonimato. O material será colhido nas maternidades do Hospital Sofia Feldman e da Previdência (Ipsemg). O trabalho da equipe da Hemoninas começa no pré-natal, com reuniões com as gestantes, para mostrar a importância da doação e esclarecer que não há risco para a criança, já que todo o procedimento é feito depois do parto.

“Esse banco significa mais agilidade para população que não tem compatibilidade na família e precisa recorrer a essa alternativa. É a última possibilidade desses pacientes de fazer um transplante. A iniciativa é importante, pois preenche uma lacuna grande na saúde do Brasil”, ressalta Basques. Levantamento do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), mostra que o doador ideal (irmão compatível) só está disponível em cerca de 30% das famílias brasileiras. Para o restante, é necessário identificar um doador alternativo a partir dos registros de doadores voluntários e bancos públicos de sangue de cordão umbilical. De acordo com o Inca, atualmente, no Brasil, 1.324 pacientes estão em busca de um doador não-aparentado (que não é da família) compatível, dos quais 115 são de Minas Gerais..