Mariana – Nívea Aparecida da Silva tem 33 anos e 10 filhos. Separou-se do marido em março e desde então cria a prole sozinha, agora em uma casa praticamente sem móveis. A geladeira ganhou de uma vizinha, o fogão é velho e fruto de doação, assim como os colchões onde os filhos dormem juntos. Não há cama. Nos outros cômodos tampouco há sofás, cadeiras, mesas. Nada. Está assim há 22 dias, desde que sua casa – que tinha fogão a lenha, quintal, horta, galinheiro e tudo do jeito que ela gostava – foi levada pela lama da Barragem do Fundão.
Nívea e seus 10 filhos são vítimas do rompimento da barragem da Samarco. Devido ao tamanho da família, eles não foram colocados em hotéis, mas levados para uma casa na Rua Cônego Rêgo, no Centro Histórico de Mariana.
Moradora de Paracatu de Baixo, que depois de Bento Rodrigues foi o povoado de Mariana mais atingido pela lama, Nívea faz parte do programa de renda mínima da prefeitura destinado a mulheres chefes de família. Antes do desastre, Nívea trabalhava como gari e recebia R$ 490 por mês, além de auxílio-alimentação.
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Para os moradores de Paracatu de Baixo, as casas alugadas serão uma solução provisória, pois eles decidiram que querem a reconstrução do povoado no mesmo local, na parte alta..