Por ocasião da soltura de 14 capivaras na Pampulha, em janeiro, pelo meno oito delas estavam num grupo considerado positivo para contaminação pela Mycobacterium bovis, conhecida como tuberculose bovina. O biólogo Gladstone Corrêa de Araújo, diretor do Jardim Zoológico e ex-presidente da Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte (FZB-BH), confirma que um animal que fazia parte do grupo morreu com tuberculose e que, na ocasião, Ministério Público Federal (MPF-MG) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foram informados sobre o assunto, antes da decisão judicial que determinou a soltura de todas as capivaras.
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O médico-veterinário Leonardo Maciel explica que a Mycobacterium bovis está no ambiente da Lagoa da Pampulha como um todo e não especificamente em um grupo de capivaras. “Aquela lagoa é o esgoto de Belo Horizonte. O que causou a morte do animal em cativeiro foi sua falência imunológica, devido ao intenso estresse, num espaço fechado, sem as condições naturais de seu ambiente”, assinalou Maciel.
O professor Vasco Azevedo, do Departamento de Genética da UFMG, também não vê risco de contaminação de humanos ou animais domésticos que circulam na orla. “O risco maior desse tipo de tuberculose é em gado confinado nas fazendas. A contaminação está diretamente ligada ao estado imunológico. No dia a dia, no ônibus, as pessoas estão em contato com pessoas tuberculosas e nem sabem”, ressaltou. “A febre maculosa ainda é o risco principal quando se mantém animais silvestres num ambiente desses”.
A presença de capivaras contaminadas próximas às pessoas divide a opinião de quem frequenta o lago. Ontem, animais com filhotes tomaram sol de manhã, e,, à tarde, procuraram sombras frescas em pontos como o Parque Ecológico, a Igrejinha de São Francisco e o Museu de Arte Moderna, todos locais com grande presença de turistas e de pessoas se exercitando. A curiosidade em ver os roedores mais de perto e fazer fotos deles fez com que muitas pessoas se aproximassem dos mamíferos, chegando a menos de dois metros de distância e para isso percorrendo partes do mato onde os animais passaram e defecaram.
As turistas pernambucanas Jéssica Machado, de 25 anos, e Gisele Silvestre, de 28, ficaram admiradas ao ver um grupo de seis animais com seus filhotes perto da igrejinha.