
Quase 50 dias depois do rompimento da barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, o prefeito da cidade atingida, Avimar Barcelos, o Nenen da Asa (PV), cobra promessas ainda não cumpridas pelo estado. Em declarações dadas nesta quinta-feira (14), o chefe do Executivo municipal afirmou que Minas Gerais ainda não repassou valores atrasados referentes ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), conforme o assegurado pelo governo estadual dias depois da catástrofe. De acordo com o Avimar, uma reunião será marcada, nos próximos dias, para discutir a questão. Em nota, o governo de Minas informou que "um esforço está sendo feito para que as cidades recebam seus repasses com seis meses de antecedência". Tal esforço compreende um estudo "para definir a viabilidade da antecipação".
“A cidade até hoje não ganhou nenhum centavo. O governador garantiu que esse dinheiro do ICMS seria pago a nossa cidade devido a tudo que passamos. Mas, até agora não pagou. A gente quer fazer uma pressão hoje (esta quinta-feira) para que os deputados também pressionem”, afirmou Avimar Barcelos.
Segundo o prefeito, o comércio em Brumadinho foi amplamente prejudicado pelo rompimento da barragem, o que afeta as finanças do município. “Os lojistas vendiam R$ 15 mil até a primeira quinzena, mas hoje estão vendendo R$ 2 mil. O Inhotim (Instituto De Arte Contemporânea E Jardim Botânico), que é conhecido internacionalmente, recebia 3 mil pessoas nos fins de semana, e agora tem 300 pessoas. A verdade é que ninguém quer ir a Brumadinho”, ressaltou.
Ainda em suas declarações, o prefeito de Brumadinho disse que a Vale não vai pagar a multa ambiental ao município devido às brechas na legislação. “Pelo que a gente está vendo, ela (a mineradora) não vai pagar. Porque muitos artigos que nós usamos (na lei) são os mesmos que o governo do estado usou. Não são todos, mas a maioria (é igual). Então, a Vale passa a não ter obrigação a pagar a multa”, disse. Ainda assim, a empresa privada, em negociação com a prefeitura local, se comprometeu a repassar cerca de R$ 80 milhões à cidade nos próximos dois anos, dinheiro referente à Contribuição Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), uma espécie de royalties do setor minerário.
O atraso nos repasses constitucionais por parte do estado atinge todos as 853 cidades do território mineiro. Segundo a Associação Mineira de Municípios (AMM), o governo Zema “se apropriou de cerca de R$ 1 bilhão, provenientes da arrecadação da parte de ICMS e IPVA que seriam dos municípios”. A gestão Fernando Pimentel, de acordo com a AMM, também foi responsável por um rombo que ultrapassa os R$ 6 bilhões.
Em nota, o governo do estado, além de se posicionar sobre as questões envolvendo o ICMS e os repasses referentes à multa ambiental, detalhou diversas medidas desempenhadas pela administração após o rompimento da barragem. O texto ressalta ações emergenciais do comitê de crise, a partir das polícias Civil e Militar, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros, e a sanção do Projeto de Lei "Mar de Lama Nunca Mais".
Outras articulações lembradas pela nota do governo estão a arrecadação de doações pelo Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas) e a criação de serviços específicos para acolher dúvidas, reclamações e todas as formas de manifestações dos atingidos, por meio da Ouvidoria Geral do Estado (OGE).