O sábado ensolarado de Belo Horizonte foi de vacinação contra a poliomielite em todos os centros de saúde da capital, em campanha que vai até a próxima sexta (30/9). A meta da prefeitura é que, no mínimo, 95% das crianças entre 1 e 4 anos sejam imunizadas contra a paralisia infantil. Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, a cidade tem 104.132 crianças da faixa-etária e, até quinta-feira (22/9), somente 56,05% receberam a ‘gotinha’.
A aplicação das doses começou às 8h e foi até as 17h para todo o público dessa faixa etária, inclusive os que estavam com a imunização em dia. A campanha recebeu o reforço dos mascotes do Cruzeiro e do Atlético, que acompanharam o Zé Gotinha no Parque Municipal Américo Renné Giannetti.


Reflexos
De acordo com o Ministério da Saúde, a poliomielite, também chamada de pólio ou paralisia infantil, é “uma doença contagiosa aguda causada pelo poliovírus, que pode infectar crianças e adultos por meio do contato direto com fezes ou com secreções eliminadas pela boca das pessoas doentes e provocar ou não paralisia”.Nos casos mais graves acontece paralisias musculares, sendo que os membros inferiores são os mais atingidos. Logo, a vacinação é a única forma de prevenção da doença. No Brasil, o último caso de infecção pelo poliovírus selvagem ocorreu em 1989, no município de Souza (PB).
A maioria das pessoas infectadas não fica doente e não manifesta sintomas. Porém, quando eles ocorrem, o infectado pode, de forma mais frequente, apresentar febre, mal-estar, dor de cabeça, dor de garganta e no corpo, vômitos, diarreia, constipação (prisão de ventre), espasmos, rigidez na nuca e meningite.
Prorrogada
A campanha de vacinação começou em 8 de agosto, mas pela baixa adesão em todo o país, o Ministério da Saúde decidiu prorrogá-la até 30 de setembro. Belo Horizonte é a capital brasileira com a melhor cobertura vacinal contra a paralisia infantil. O balanço mais recente da PBH mostra que cerca de 58 mil crianças (56,05% do público-alvo) receberam a gotinha nesta campanha. Porém, o número ainda não é suficiente, já que o ideal é que a cobertura vacinal contra a pólio chegue a 95% da população.Precaução contra o retorno da doença
Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), houve redução de 99% nos registros de paralisia infantil nos últimos anos, de 350 mil casos estimados em 1988 para 29 casos notificados em 2018. O Brasil recebeu o certificado de eliminação da pólio em 1994, porém, até que a doença seja erradicada no mundo, existe o risco de um país ou continente ter casos importados e o vírus voltar a circular em seu território. É importante manter as taxas de cobertura vacinal altas para evitar que isso ocorra.
No fim de fevereiro, o Estado de Minas mostrou que a pandemia da COVID-19 diminuiu a cobertura vacinal de outras vacinas. Até então, Minas Gerais havia registrado cobertura vacinal contra a poliomielite de 73,7%, para menores de um ano, de 66,38% para crianças de 15 meses de idade e de 59,67% para crianças com 4 anos de idade.
Ao lançar campanha nacional, o Ministério da Saúde alerta que a cobertura vacinal da poliomielite em todo o país vem apresentando resultados abaixo da meta de 95% desde 2016. Com isso, o objetivo do governo federal é alcançar a adesão ideal da vacina contra a poliomielite na faixa etária de 1 a menores de 5 anos, além de reduzir o número de não vacinados de crianças e adolescentes menores de 15 anos.
Em julho deste ano, Nova York registrou o primeiro caso de poliomielite, depois de quase uma década erradicada. A situação está deixando a população inquieta e preocupada. No último dia 9, a governadora Kathy Hochul declarou estado de emergência após amostras do vírus serem encontradas no esgoto de três municípios. Uma das hipóteses para o ressurgimento de doenças erradicadas é o movimento antivacina e a baixa adesão da população nas campanhas. (IB)
Um presente para a cidade
Uma série de atividades gratuitas fizeram a alegria da garotada ontem nas comemorações dos 125 anos do Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no Centro de BH. A programação incluiu atividades como cama elástica, pula-pula, brincadeiras e piscina de bolinhas, além de feira de economia solidária, com exposição e venda de artesanato, vestuário e alimentação. A pedagoga Mayse Kelly Jorge, coordenadora da Escola Municipal Professora Maria Modesta Cravo, no Bairro Cidade Nova, levou cerca de 60 alunos ao parque para as atividades. Foi a primeira excursão desde o início da pandemia. “Também foi uma excursão em que eles puderam brincar e se divertir. Tinha muitos brinquedos infláveis, oficinas, apresentação musical”, comemorou.