
“Quanto mais bares nas regiões, bairros e vizinhanças, mais as comunidades conseguem prestigiar (os butecos). Quando se tinha bares isolados, ele não dava vazão para outros locais. Com uns cinco ou seis você potencializa e dá mais opções para as pessoas”, explicou Filipe, que ainda destacou o crescimento das últimas edições.
De 2021 para 2022, por exemplo, o concurso passou de 50 para 90 bares. As expectativas são maiores para os botecos premiados em outras edições, como o tricampeão do concurso, o tradicional Café Palhares (2009, 22, 21), no Centro de BH.
Essas casas possuem o desafio de elevar ainda mais sua qualidade e superar os estreantes. “São muitos bares novos legais, e a dica é começar as visitas por eles. Em um mês, 100 bares, são três visitas por dia”, disse Filipe.
Os botecos participantes serão anunciados no próximo dia 3, e de 7 de abril a 7 de maio eles serão avaliados em quatro quesitos: petiscos, temperatura da bebida, atendimento e higiene. Ao votar, o público e os jurados dão notas de 1 a 10, dividindo o peso da sua escolha igualmente em 50%. O preço dos petiscos foram fixados em R$ 30.
Ervas e Especiarias
A cada dois anos o Comida di Buteco lança um desafio temático para que as casas criem petiscos novos. Em 2023 o tema “Ervas e Especiarias” rememora os primórdios da humanidade e da cozinha, já que os ingredientes são amplamente utilizados no Brasil e no Mundo.
Em outras edições, o concurso valorizou outros ingredientes e petiscos em sua temática, como o jiló, a mandioca e o torresmo. Por outro lado, para o diretor de operações, essas escolhas com o tempo engessaram os pratos, já que se tinha um foco em um item só. A sazonalidade do cultivo também era um problema.
“Os temas são amplos e nacionais. Não temos problema de sazonalidade, você tinha um produto como tema e em abril ele ficava mais caro, então dificultava. Agora sobre especiarias estamos falando muito sobre origem, e estamos sempre buscando isso no concurso”, destacou Filipe Tosta.
Expansão nacional
A expansão do Comida di Buteco em Belo Horizonte também é um reflexo do concurso em todo país. Em 2023, quatro novos circuitos irão compor o roteiro nacional, que passa por 45 cidades de todas as regiões.
Os estreantes são Maringá (PR), Londrina (PR), Blumenau (SC) e Joinville (SC). O número de butecos participantes também impressiona, são 1.000 estabelecimentos na disputa, sendo que pelo menos 400 são novatos.
Já em números, a disputa se consolida nas redes sociais, na economia e entre os concursos do gênero. Em 2022 foram mais de 9 milhões de pessoas impactadas diretamente nos botecos, 900 mil votos, 82 milhões de impressões nas redes sociais, mais de R$ 300 milhões de impacto na cadeia de bares, e mais de 8 mil empregos gerados.
“É uma renovação, um crescimento bem grande na base do projeto. O crescimento não vem carregado só das alegrias, mas também do trabalho. Nossa missão é ajudar os negócios e não deixar que esse ícone brasileiro que são os bares morrer”, ressaltou o diretor do Comida di Buteco.
BH é o berço
O concurso foi realizado pela primeira vez na capital mineira, em 2000, quando o Bar do Careca foi o grande campeão. De lá pra cá, vários circuitos foram criados em todo o Brasil e, desde 2016, passou a reunir os vencedores na eleição do melhor boteco do país.
Apesar da fama de Capital dos Bares, Belo Horizonte ainda não teve um campeão nacional. Filipe, porém, destaca a cidade como o berço do concurso e como o maior circuito em número de bares, votos e petiscos pedidos.
“A nossa origem não deixa a cidade esquecer a origem dela. Muita gente falam de muitas atrações que BH tem, e que bom que são muitas, mas estamos aqui pra lembrar sempre que é a capital do Comida di Buteco”, completou.
*Estagiário sob supervisão do subeditor Eduardo Oliveira