A "dama de ferro" da dissidência cubana começou seu jejum seguida por outros 13 opositores em diversas localidades da ilha, mas logo foram se somando mais e agora são 27, incluindo Roque e o preso Vázquez.
Roque, 67 anos e diabética, disse que a decisão é "uma vitória para toda a nação cubana, porque muita gente de Cuba nos apoia, muita gente no exílio nos apoia...".
"Penso que o caminho, e não digo a greve de fome, porque isto nos deixa muito mal, seja este: o de respeito e apoio mútuo, independentemente de como pensamos, independentemente de nossa posição política sobre os problemas deste país".
"Se o governo manipula, como sempre faz, a informação de que estávamos em greve de fome, se quer tratar de desvirtuar este sacrifício, não nos interessa, o mundo sabe a realidade" de Cuba.
Economista e ex-presa política, Roque iniciou a greve de fome para exigir a libertação de Vázquez, que deveria sair da prisão em 9 de setembro, após cumprir uma pena por exercer uma "atividade econômica ilegal".
A mulher de Vázquez foi chamada na tarde desta terça-feira ao quartel da Segurança do Estado, em Santa Clara (270 km a leste de Havana), para ser informada da libertação do marido por ordem do Supremo Tribunal.
"Com a imediata libertação de Jorge Vázquez Chaviano terminou a greve de fome e se confirmou a vitória cidadã", escreveu a blogueira Yoani Sánchez no Twitter.
A greve de fome se tornou a arma principal dos dissidentes cubanos para reivindicar seus direitos perante o governo, mas a prática custou a vida de dois opositores presos: Orlando Zapata (fevereiro de 2010) e Wilman Villar (janeiro de 2012).
O governo cubano qualifica os opositores de "mercenários" a serviço dos Estados Unidos, e nenhum meio de comunicação da ilha, todos sob controle estatal, reportou algum jejum de protesto.