Jornal Estado de Minas

Obama e Romney levam suas campanhas ao estado-chave da Virgínia

AFP
A disputa pela Casa Branca se acirra entre o presidente Barack Obama e seu adversário, o republicano Mitt Romney, que faziam campanha esta quinta-feira na Virgínia (leste), estado considerado chave, assim como Ohio (norte), onde os dois estiveram nesta quarta-feira. Obama discursou para 7.000 pessoas na cidade de Virginia Beach, 350 km ao sul de Washington.
Em sua fala, ele mencionou em várias oportunidades um vídeo filmado com câmera oculta, divulgado na semana passada, no qual Romney criticava os eleitores democratas afirmando que eles têm mentalidade de vítimas.

O republicano despencou nas pesquisas de opinião desde a difusão do vídeo, há dez dias, no qual fala da mentalidade "de vítimas" de 47% dos americanos, que não pagam impostos sobre os lucros e que votariam - segundo ele - em Obama.

O presidente disse não acreditar que o país possa avançar muito com governantes que desqualificam a metade do país, chamando-os de vítimas que não assumem suas responsabilidades, afirmou Obama. "Eu viajo muito pela Virgínia e por todo o país. Não vejo muitas vítimas", acrescentou.

Claramente superado por Obama na maioria dos estados-chave, segundo várias pesquisas recentes, Romney também estava na Virgínia, onde acusou o atual presidente de encaminhar os Estados Unidos "na direção que a Europa tomou", segundo afirmou em Springfield, periferia sul de Washington, diante de um auditório de veteranos de guerra.

Os dois adversários, que se enfrentarão na semana que vem no primeiro de seus três debates, haviam percorrido na quarta-feira as mesmas áreas de Ohio (norte) separados apenas por alguns poucos quilômetros. Ohio é considerado o estado mais importante nas eleições presidenciais de 6 de novembro.

Na história recente dos Estados Unidos, nenhum republicano conseguiu chegar à Casa Branca sem vencer em Ohio, mas uma consulta publicada na quarta-feira no The New York Times colocou Romney dez pontos atrás de Obama.

Apesar dessas dificuldades, a equipe de campanha republicana insistiu na quinta-feira em atacar Obama por seu desempenho econômico, flanco que considera frágil no adversário.

Um estado cada vez mais democrata Depois de anunciada nesta quinta-feira uma revisão para baixo das previsões de crescimento econômico, Andrea Saul, porta-voz republicana, disse que "a economia de Obama está oficialmente em ponto morto".

"Nossos criadores de emprego (...) não podem se permitir outros quatro anos semelhantes aos quatro que passaram", acrescentou.

"A China cresce muito mais rápido de que nós. A Rússia cresce mais rápido do que nós (...), é inaceitável", afirmou o republicano.

Mas nestas últimas semanas, os eleitores, entre eles os da Virgínia, parecem julgar menos severamente o balanço econômico do presidente.

Neste estado, Obama mantém vantagem de 4,5 pontos sobre Romney, segundo uma média de consultas feita pelo site especializado RealClearPolitics.

Neste estado de tradição conservadora, os democratas ganharam terreno com o desenvolvimento das periferias de Washington. Quase 30% de seus habitantes provêm das minorias, inclinadas majoritariamente em votar no presidente. Em 2008, Obama foi o primeiro democrata a vencer uma eleição presidencial na Virgínia desde 1964.

A 40 dias do 6 de novembro e enquanto o voto antecipado transcorre em vários estados, a equipe de Obama apresentou nesta quinta-feira um anúncio de campanha de dois minutos, considerado mais longo que o normal para este momento, destinado a ser exibido nos sete estados decisivos, inclusive na Virgínia.

Neste vídeo, que sua equipe apresenta aos eleitores como "aquilo que o presidente diria caso estivesse sentado a sua mesa", Obama aborda o tema da difícil situação econômica que herdou ao assumir o governo no começo de 2009 e acusa Romney de pretender voltar a aplicar as políticas "que levaram a esta situação".

Também apresenta seu plano econômico, prometendo a criação de "um milhão de empregos no setor manufatureiro", a redução em 50% das importações de petróleo até 2020 e a aposta na formação.

O presidente-candidato destaca igualmente o fim dos incentivos fiscais aos mais ricos, com o objetivo de reequilibrar o orçamento e em nome de um "novo patriotismo econômico".