Na noite de domingo (7), em um breve comunicado, a Veolia, que adquiriu 29,9% do capital da Suez em outubro, concluiu que suas "repetidas tentativas amigáveis" de adquirir o restante do capital de seu principal concorrente foram infrutíferas.
Diante da intransigência de Suez, o conselho de administração da Veolia decidiu lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) ao preço de 18 euros por ação sobre 70,1% do capital que não controla, o que representaria uma transação de 7,9 bilhões de euros.
Suez reagiu imediatamente: "Legalmente, a Veolia não pode apresentar uma oferta pública de aquisição", disse à AFP uma porta-voz da empresa, que denunciou "uma violação do compromisso amigável" assumido pela Veolia.
O tribunal de Comércio de Nanterre, a pedido da Suez, ordenou na manhã desta segunda-feira que a Veolia suspenda o lançamento de sua OPA, à espera de resolver seus compromissos amistosos prévios.
Em nota divulgada na noite desta segunda-feira, Suez questionou "a validade da apresentação da oferta pública" da Veolia diante da bolsa.
A Suez "questionará a publicação pela Autoridade dos Mercados Financeiros (AMF) de um aviso de apresentação de oferta pública, apesar da decisão do ministro", e afirma que "não responderá ao edital de apresentação publicado pela AMF".
O ministro da Economia, Bruno Le Maire, denunciou que a OPA "contradiz os compromissos" da Veolia e "traz questões de transparência".
Os sindicatos também são contra a OPA e declararam em conjunto que consideram esta oferta uma "declaração de guerra sem volta". Eles temem as consequências sobre o preço da água, a sobrevivência da concorrência, o investimento e o emprego.
Em um mercado mundial cada vez mais competitivo, a Veolia quer criar um "supercampeão francês" do setor, um "projeto de interesse da nação", segundo o presidente Antoine Frérot.
Em meados de janeiro, a Suez havia contra-atacado anunciando uma oferta dos fundos francês Ardian e americano GIP, para chegar a uma "solução amistosa" com a Veolia. Mas esta o ignorou.
No entanto, o diálogo parecia que havia sido retomado recentemente. As duas empresas tinham previsto começar a falar "muito em breve", disse à AFP Philippe Varin, presidente do conselho de administração da Suez na quarta-feira passada.
Na véspera, o ministro da Economia assegurou que uma solução amistosa estava "ao alcance da mão".
Na sexta, Antoine Frérot e Bertrand Camus tinham se reunido, segundo fontes próximas ao caso. Mas a porta se fechou abruptamente.
"Suez multiplicou nos últimos quatro meses as ações destinadas a obstruir a proposta de oferta da Veolia", justificou-se este último no domingo, razão pela qual a Veolia decidiu "apresentar uma oferta formal, para poder entrar em discussão" com seu objetivo.
O Estado francês, inicialmente favorável ao projeto de compra, parece ter se distanciado nas últimas semanas e pedido diálogo.
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