A líder das redes sociais denominou a operação de "lavanderia de desinformação", que tentava legitimar informações falsas, fazendo-as circular usando pessoas com reputação ilibada.
Segundo o Facebook, os influenciadores que perceberam a farsa foram os que desvendaram a enganosa campanha de influência orquestrada pela empresa de marketing Fazze na Rússia.
"Supunham que os influenciadores não fariam seu trabalho de casa, mas dois deles fizeram", informou o chefe da equipe de Inteligência sobre ameaças globais do Facebook, em um briefing à imprensa.
"É realmente um alerta: cuidado quando alguém tentar te vincular a um story. Faça sua própria pesquisa".
O Facebook informou ter removido em julho 65 perfis e 243 contas no Instagram vinculados à campanha e baniu a Fazze de sua plataforma.
A Fazze é subsidiária da AdNow, empresa de publicidade registrada na Grã-Bretanha, segundo informações da imprensa.
A operação visava inicialmente a Índia e a América Latina, mas também foi executada nos Estados Unidos, enquanto os governos debatiam a aprovação de vacinas para combater a pandemia de covid-19, segundo Nimmo.
No ano passado, a rede de contas falsas tentou popularizar um meme falso segundo o qual a vacina da AstraZeneca contra o coronavírus transformaria as pessoas em chimpanzés, reportou o Facebook.
Após permanecerem em silêncio por cinco meses, os organizadores atacaram a segurança da vacina da Pfizer e vazaram o que apresentaram como um documento da AstraZeneca roubado por hackers, acrescentou o Facebook.
Segundo Nimmo, a campanha fez uso de plataformas digitais como Reddit, Medium, Change.org e Facebook, criando artigos e petições enganosos e então forneciam aos "influenciadores" links, hashtags e outras ferramentas para disseminar desinformação sobre as vacinas.
"De fato, esta campanha funcionou como uma lavanderia de desinformação multiplataforma", disse Nimmo.
A operação foi revelada por influenciadores na França e na Alemanha, que questionaram as alegações feitas pela Fazze por e-mail, incentivando jornalistas a investigarem o assunto, segundo o Facebook.
A rede social desconhece quem contratou a empresa Fazze para a campanha antivacina, mas compartilhou suas descobertas com entidades reguladoras, polícia e outras plataformas similares na internet, segundo seu diretor de política de segurança, Nathaniel Gleicher.
A campanha parece ter fracassado, pois quase nenhuma das postagens no Instagram recebeu "curtidas" e duas petições em inglês e hindi no site Change.org obtiveram menos de 1.000 assinaturas, acrescentou o Facebook.
A equipe de segurança na rede social tem observado uma tendência de operações de influência enganosas visando múltiplas plataformas de mídias sociais e tentando recrutar personalidades estabelecidas para espalhar mensagens falsas, segundo Gleicher.
"Quando estas operações se voltam para os influenciadores, elas normalmente não dão o contexto completo de quem está por trás delas", disse Gleicher.
"E quando os influenciadores descobrem, ficam ávidos por botar a boca no mundo", acrescentou.
A notícia surge em meio a um debate entre o Facebook e o governo dos Estados Unidos sobre o controle da desinformação a respeito do vírus e esforços do governo para apelar a personalidades populares nas redes sociais para que promovam a vacinação.
audima