"Há uma profunda crise forense em matéria de identificação humana no México. De acordo com dados oficiais, mais de 52.000 pessoas que morreram não foram identificadas, reportou o MNDM em um relatório preparado com base em pedidos de informação pública enviados aos serviços forenses do país.
O grupo detalhou que, desse número, "60% estão em valas comuns de cemitérios públicos", e acrescentou que "as autoridades não puderam ou não quiseram informar onde estão 22% dessas pessoas". O restante se encontra em instalações dos serviços forenses (7%), universidades (5%) ou centros de proteção forense (1%). Os 5% restantes correspondem a "outros locais" que os serviços forenses não identificaram claramente, explicam os autores do relatório.
Os números "mostram como o aumento da violência nos últimos 15 anos teve um grande impacto na sociedade, particularmente em termos de desaparecimentos forçados e homicídios". Ao mesmo tempo, "agravaram-se as limitações dos serviços forenses", destaca o relatório.
Funcionários insuficientes, formação inadequada, pouco trabalho interdisciplinar, baixos salários e contratos temporários nos serviços forenses são algumas das causas da "crise forense", detalhou o MNDM. Por insistência da organização, o governo criou o Mecanismo Extraordinário de Identificação Forense, cuja diretoria será anunciada nos próximos dias.
Em outubro de 2019, a Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) denunciou a existência de mais de 30.000 corpos não identificados nos necrotérios do México. O MNDM exigiu que o governo compare o banco de dados de corpos não identificados com o de desaparecidos.
De acordo com o governo, até esta quinta-feira havia 82.506 pessoas desaparecidas.
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CIDADE DO MÉXICO
Parentes de desaparecidos no México denunciam existência de mais de 52 mil corpos não identificados
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