Quase metade da população mundial sofre com uma dieta alimentar desequilibrada, seja pelo excesso, seja falta de alimentos, uma situação que também tem um impacto no planeta - alerta um relatório publicado nesta terça-feira (23).
O Relatório Global de Nutrição (GNR), publicado anualmente, destaca que 48% da população do planeta tem problemas de saúde por excesso de comida, ou por excesso de alguns componentes em sua dieta habitual - como a carne -, ou por falta de nutrientes.
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O relatório calcula que quase 150 milhões de crianças com menos de cinco anos apresentam deficiências de crescimento, mais de 45 milhões estão desnutridas, e quase 40 milhões têm sobrepeso.
Além disso, mais de 40% dos adultos (2,2 bilhões de pessoas) têm sobrepeso, ou obesidade.
"As mortes previsíveis por causa de dietas desequilibradas cresceram 15% desde 2010 e as dietas desequilibradas são responsáveis por 25% de todas as mortes de adultos na atualidade", declarou a diretora do Grupo de Especialistas Independentes do GNR, Renata Micha, à AFP.
"As pesquisas mundiais mostram que nossas dietas não melhoraram nos últimos dez anos e agora representam uma ameaça para todo planeta", explicou.
- A importância da alimentação -
O relatório afirma que as pessoas nos países de baixa renda não comem vegetais e frutas suficientes.
Nos países ricos, o problema é o excesso de carne vermelha, laticínios e bebidas açucaradas.
O consumo de alimentos ultraprocessados também aumentou: carnes vermelhas e processadas já representam cinco vezes mais do que a recomendação máxima por semana.
O informe também destaca que os atuais objetivos nutricionais da OMS não mencionam a dieta alimentar, salvo a recomendação para se evitar o excesso de sódio.
O GNR calcula que a demanda mundial de alimentos provocou quase 35% das emissões de gases do efeito estufa em 2018.
"Alimentos de origem animal têm uma pegada de carbono por produto mais elevada que a comida de origem vegetal", explica o texto.
O gado é particularmente responsável por esta situação.
O GNR calcula que seria necessário um orçamento anual de US$ 4 bilhões até 2030 para combater a desnutrição, o atraso de crescimento e a anemia maternal, assim como para se cumprir as metas de amamentação.