Para integrantes da comissão, há, além da sonegação fiscal, um movimento gigante de evasão de divisas. Hoje, durante reunião administrativa da CPI, alguns parlamentares vão sugerir que a Interpol seja acionada para mapear o caminho internacional do dinheiro da organização criminosa. Informações extra-oficiais apontam que existe uma espécie de conta-mãe num paraíso fiscal.
Cartão de crédito
O que também chamou a atenção dos parlamentares foi a declaração de rendimentos, incompatíveis com os gastos no cartão de crédito do bicheiro. Em 2008, ele declarou ter recebido R$ 20,4 mil em rendimentos tributáveis e, em 2007, R$ 17,8 mil. No entanto, os gastos no cartão ultrapassam R$ 500 mil. Em 2003 e 2004, o contraventor informou à Receita Federal que não teve rendimentos. Ele costumava guardar dinheiro em casa. Declarou ao fisco ter, num cofre, a quantia de aproximadamente R$ 1,5 milhão.
Nos depoimentos prestados na CPI pelos delegados da Polícia Federal Matheus Mella Rodrigues e Raul Alexandre Marques de Souza, responsáveis pelas Operações Monte Carlo e Vegas, ficou evidente que existem 13 empresas ligadas ao bicheiro. Uma delas tem sede num paraíso fiscal do Caribe. As empresas JR, Alberto Pantoja e Brava receberam, aproximadamente, R$ 40 milhões em depósitos efetuados pela empreiteira Delta, no foco das denúncias desde o início do escândalo.
Ontem à tarde, os senadores Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Randolfe Rodrigues (PSol-AP) informaram que vão requerer a quebra de sigilo da empresa BET Capital, hoje pela manhã, durante reunião administrativa da CPI. Os governadores citados nos inquéritos da Polícia Federal permanecem blindados. Não será votado nenhum requerimento de convocação. Informações de bastidores apontam que há um acordo tácito entre governistas e oposicionistas para poupar o governador de Goiás, Marconi Perillo, e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.
Na sessão administrativa de hoje, a CPI vai apreciar e votar todos os requerimentos relativos a quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), da empresa Delta e de outros envolvidos no escândalo.