Os atrasos ocorrem porque o orçamento do ministério, bastante reduzido este ano, acabou em agosto. O Itamaraty depende de um crédito suplementar, já aprovado pelo Congresso em setembro, mas cuja liberação ainda não foi assinada pela presidente Dilma Rousseff. Figueiredo, no entanto, nega que embaixadas, consulados e representações brasileiras estejam com dificuldades de pagar suas contas. “Não é um quadro sombrio. Ao longo dos anos já houve tantos atrasos, já aconteceu antes.
O ministro afirma que muitas coisas apontadas como sinais de penúria no Itamaraty são apenas decisões para melhorar a gestão do gasto público, como a de evitar deixar luzes e ar-condicionados ligados, rever pagamentos excessivos de passagens ou a decisão de cancelar uma licitação de R$ 400 mil para comprar flores a serem usadas em almoços e jantares – hoje as mesas são decoradas com frutas do próprio bufê que prepara as refeições. “O respeito ao dinheiro público não pode ser visto como uma falta de recursos. É boa gestão”, disse, explicando que prefere trocar esses gastos desnecessários por investimentos em ações de política externa.
A defesa dos cortes e a negativa de que o ministério passe por dificuldades financeiras causou revolta entre os servidores. Vários reclamaram que a economia feita não é apenas “boa gestão”, como diz o ministro, e chega a atrapalhar o trabalho do Itamaraty. “Não se aprova nem uma passagem para São Paulo”, diz um diplomata de alto escalão. “O que a diplomacia faz é reuniões, negociações. Se não temos como fazer nem isso, como se trabalha?”
Apesar de as economias serem creditadas, pelo ministro, ao simples respeito ao dinheiro público, não há como negar que o orçamento do Itamaraty este ano foi drasticamente reduzido. Em 2014, foi de R$ 1 bilhão, a metade do valor de 2013, e ainda teve um contingenciamento de R$ 200 milhões em março. Servidores no exterior confirmam que, além do atraso no reembolso dos aluguéis, a ordem é economizar o máximo possível.
Já há alguns meses o Tesouro vinha atrasando o repasse mensal chamado duodécimo, usado para pagar as despesas correntes. Todos os meses, os recursos eram repassados no último dia possível. Como o Itamaraty precisa trocar os reais por dólares antes de distribuir para os postos no exterior, o dinheiro já estava chegando com atraso. A falta de fluxo regular tem obrigado embaixadores a fazerem malabarismos para pagar as contas, usando sobras de meses anteriores..