As correções em curso na economia "são amplas", e incluem várias medidas, com mudanças em benefícios sociais e cortes de gastos, frisou Lisa na teleconferência. "Algumas das quais precisam de aprovação do Congresso, mas 80% podem ser gerenciadas pelo próprio Tesouro", ressaltou. "Será bastante desafiador, mas acreditamos que há apoio (de Dilma Rousseff) para estas medidas. A chave será a articulação futura com o Congresso."
A diretora da S&P frisou que, desde que a agência rebaixou o rating brasileiro em março do ano passado, alguns componentes importantes que fazem parte da avaliação de risco soberano do País pioraram. Ela citou os indicadores fiscais e o crescimento da economia. No lado fiscal, Lisa ressaltou que a deterioração dos indicadores no ano passado foi pior que o esperado, com o déficit do governo em 6,3% do Produto Interno Bruto (PIB). "Esperamos que este déficit caia para a casa dos 5%, nível ainda elevado, e se movendo para um nível um pouco menor, por causa de algumas medidas do ajuste."
Ao mesmo tempo que ocorreu a piora de alguns indicadores, o governo passou a fazer um ajuste "significativo" nas políticas fiscal e monetária, fator que não estava nas expectativas no cenário base traçado pela S&P quando rebaixou o Brasil em março do ano passado para apenas um nível acima da nota grau de investimento.
Segundo ela, normalmente a perspectiva estável para um rating BBB- significa que a nota voltaria a ser revista em um prazo de 18 a 24 meses, mas em função da atual situação do Brasil esse período deve ser menor. "Quando se pensa nos desafios do ambiente político, monitorar a execução do ajuste fiscal neste ano é essencial", afirmou.
Lisa frisou em diversos momentos que o Brasil está crescendo muito pouco, deve ter contração este ano na atividade econômica, mas as coisas devem melhorar em 2016, por conta do ajuste. "Vemos estes movimentos de piora e assumimos que será temporário e a correção na política econômica em curso será mantida, executada e levará a uma melhora gradual ao longo do tempo", afirmou. No ajuste, além das medidas fiscais, ela frisou que as taxas de juros devem permanecer altas, para conter a inflação.
Ao mesmo tempo, a diretora da S&P frisou que a dinâmica da Petrobras é essencial para o rating soberano brasileiro e afirmou que a agência acredita que o "governo multo provavelmente daria suporte extraordinário à empresa", se preciso. "Não está no nosso cenário base que um apoio extraordinário a Petrobras é necessário", afirmou. Porém, esse apoio do governo à Petrobras poderia pressionar as contas fiscais, ressaltou..