Uma investigação na Noruega confirma que uma das principais empresas do setor de petróleo do país "provavelmente" pagou milhões em propinas para garantir contratos com a Petrobrás. Na noite de sexta-feira, a polícia escandinava fez uma operação de busca nos escritórios da empresa Sevan Drilling, do grupo Sevan Marine. A companhia admitiu que seus informes internos foram entregues às autoridades e que a empresa é acusada de corrupção no Brasil.
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Pecuarista alega que não tratou de contratos da PetrobrasDelator da Lava-Jato diz que nora de Lula recebeu R$ 2 mi no esquema de corrupção na PetrobrasCPI da Petrobras termina na semana que vem sem ouvir Cunha sobre contas na SuíçaSTJ nega habeas corpus ao ex-diretor da Petrobras Renato DuqueAlém do caso da Petrobras, outros escândalos abalam imagem de 'pura' da NoruegaCPI da Petrobras termina sem pedir indiciamentosA auditoria conduzida pelo escritório Selmer concluiu que "é mais provável que pagamentos ilegais tenham sido feitos para garantir contratos com a Petrobrás". Eles seriam para a compra de instalações para estocagem e navios, além de material para perfuração das subsidiárias Sevan Driller e Sevan Brasil.
O informe encontrou indícios de atos suspeitos e transações que "constituem tanto negligência por parte da Sevan ou um conflito de interesse". "Tais atos podem potencialmente representar um crime financeiro", indicou.
No Brasil, a empresa teria feito o pagamento graças a Raul Schmidt Felippe Junior, representante da companhia norueguesa no Rio de Janeiro até 2007 e, depois, e apontado pela investigação da Lava Jato como "parceiro" de Jorge Zelada, ex-diretor da área de Internacional da Petrobras. Ele teria feito parte de operações para camuflar recursos desviados da estatal, Shmidt é suspeito de ter negociado com a Sevan Marine que, em 2008, assinou um contrato de US$ 975 milhões com a estatal para fornecer equipamentos em operações de exploração em em águas profundas.
Em um comunicado, a Sevan Marine indica que apresentou um comunicado à Bolsa de Valores de Oslo para indicar que havia recebido o informe final da auditoria interna e que " decidiu entregar para as autoridades norueguesas para investigação e processo de crime econômico e ambiental ".
"A Sevan Drilling foi acusada de violar as seções 276a e 276b do Código Penal Norueguês em relação ao pagamento feito em relação aos contratos de 2012 à 2015, originalmente dados pela Petrobras para a Sevan Marine no período entre 2005 e 2008 ", indicou o comunicado oficial. "A empresa está cooperando com as autoridades para identificar e disponibilizar todos os documentos", indicou a companhia. "Vamos continuar cooperando com as autoridades em todas as jurisdições", completou.
Agora, a auditoria vai investigar se ex-executivos da Petrobrás deram informações privilegiadas para a empresa norueguesa garantir os contratos. A procuradora norueguesa, Marianne Djupesland, confirmou que diversos membros da direção da empresa foram questionados, entre eles o fundador da companhia e ex-CEO, Jan-Erik Tveteraas. Em junho, ele havia declarado para a imprensa local que havia ficado " chocado " com a notícia do envolvimento de seu ex-funcionário no Rio. "Ele abusou de nossa confiança", disse.
Em Oslo, o caso já é considerado como um dos maiores escândalos de corrupção, num país que faz questão de apresentar uma imagem de transparência.
O presidente da empresa norueguesa, Siri Hatlen, confirmou que, diante dos resultados da investigação, "decidiu dar as informações para a Justiça". "Somos uma empresa cotada na Bolsa e depende de uma boa reputação", comentou. "Temos tolerância zero com a corrupção", completou..