Um processo de quebra de decoro parlamentar contra o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) pode ser aberto já nos próximos dias, depois que líderes do PSDB pediram à presidência do Senado que envie à Comissão de Ética cópia da decisão tomada na quarta-feira pela maioria dos parlamentares pela manutenção da prisão do petista. “É inevitável que o conselho se manifeste. Se vai notificar o Supremo, como não vai notificar o órgão interno de ética?”, questionou o líder do PSDB na Casa, Cássio Cunha Lima (PB).
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O senador Aécio Neves, presidente do PSDB, reforçou a necessidade da remessa do documento que manteve Delcídio preso à Comissão de Ética, onde deve se desenrolar a discussão. O tucano criticou, o que considerou “incompreensível”, o fato de que até agora, a presidente Dilma Rousseff (PT) não tenha se manifestado em razão da prisão do petista, que atuava como líder do governo no Senado.
“É extremamente grave.
O tucano aproveitou o agravamento da crise política para defender também o impeachment da presidente Dilma. “A oposição está fazendo o seu papel. Para a oposição, a solução efetiva para o Brasil superar esta crise era o afastamento já do presidente da Câmara (Eduardo Cunha) para que o Congresso pudesse ter uma nova agenda, o afastamento da presidente da República. Cabe à oposição fazer o que estamos fazendo: apontando caminhos para o país”, defendeu o senador.
Apreensão na câmara
A prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) causou apreensão entre correligionários e aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Cunha passou a quarta-feira acompanhando os desdobramentos da prisão do senador e adotou como estratégia não comentar publicamente o episódio. Nos bastidores, no entanto, o peemedebista considerou a peça da Procuradoria-Geral da República (PGR) “frágil” para justificar a prisão do petista. Os partidos de oposição pretendem usar a prisão de Delcídio como argumento para a necessidade de afastamento de Cunha, sob a análise de que ele tem manobrado para atrapalhar o processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. O clima de apreensão não só contaminou a presidência da Casa, mas também o plenário. Nessa quinta-feira (26), houve conversas entre deputados federais sobre a possibilidade de novas prisões de parlamentares no rastro da Operação Lava-Jato..