Em discursos ainda tímidos, lideranças do PP, PR, PTB e PSB que trabalharam a favor do afastamento ressaltaram nesta segunda-feira, 18, a importância dos votos que "deram a Temer", classificados pela maioria deles como decisivos, e cobraram reconhecimento.
Ex-ministro de Dilma, Ribeiro afirma que o partido está preparando uma "contribuição" com propostas de saídas para a crise econômica a ser entregue para Temer, caso ele assuma a Presidência no lugar de Dilma. As propostas estão sendo elaboradas pela Fundação Milton Campos, ligada à legenda.
No PP, as negociações com Temer estão sendo tocadas pelo presidente da sigla, senador Ciro Nogueira (PI), até duas semanas considerado "aliado" do governo Dilma. Em um eventual governo peemedebista, a legenda quer "manter" o Ministério da Integração Nacional e ganhar outra pasta "de Orçamento", como Saúde ou Educação.
No PR, que deu 26 votos contra o governo da petista e apenas 14 a favor, a "prioridade" é manter o Ministério dos Transportes, atualmente ocupado por Antônio Carlos Rodrigues. A ala pró-Temer, contudo, ainda precisa convencer o comando do partido a apoiar o peemedebista.
Atualmente, o PR é comandado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, que cumpre prisão domiciliar por condenação no processo do mensalão. Neto tem se mantido fiel a Dilma, o que levou o deputado Alfredo Nascimento a renunciar, no domingo, à presidência da legenda, que ocupava oficialmente, para votar a favor do impeachment.
"O PR foi decisivo e poderia ter virado o jogo com os 26 votos que deu a favor do impeachment", afirmou um influente deputado da legenda, sob condição de anonimato. No partido, as negociações com Temer estão sendo tocadas pelo ex-líder do partido, deputado Maurício Quintella (AL).
No PSB, as conversas com o vice-presidente são feitos pelo presidente do partido, Carlos Siqueira.
Na linha de outras lideranças que também negociam com Temer, Siqueira ressalta que o resultado da votação do impeachment "poderia ser outro" se não fossem os 29 votos a favor do impedimento que a bancada do PSB deu. Apenas três deputados da sigla votaram contra o impeachment.
Com 14 votos pró-impeachment e seis contra, o PTB sinaliza querer assumir alguma pasta ligada ao empresariado e à indústria. "Temos um programa de reformas nessas áreas para entregar para ele", disse a deputada Cristiane Brasil (RJ), que passou a presidência da sigla nesta semana a seu pai, Roberto Jefferson..