Brasília - O presidente Michel Temer convidou nesta terça-feira, 18, dissidentes do PSB a ingressar no PMDB e criou um novo atrito com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também interessado em atrair parlamentares para o seu partido. O PSB deixou o governo em maio, após a divulgação da delação do empresário Joesley Batista, da JBS, que fundamentou a denúncia por corrupção passiva contra o peemedebista. De 36 deputados, 16 discordaram da decisão da cúpula.
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Temer janta com Maia para discutir reforma da PrevidênciaTemer recebeu Eunício Oliveira e inclui jantar com Maia na agenda oficialTemer confunde presidência da República com a do partido, diz presidente do PSBMais cedo, fora da agenda oficial, Temer participou de um café no apartamento funcional da líder do PSB na Câmara, Tereza Cristina (MS), e mais quatro parlamentares para fazer o convite. O encontro foi marcado na segunda-feira por meio do deputado Danilo Forte (PSB-CE).
"Ele perguntou sobre a nossa situação no partido e falou: 'O PMDB está aí também, conversem com o (senador Romero) Jucá (presidente do PMDB)", disse Tereza à reportagem, ao relatar a conversa com Temer. O PMDB tem 62 deputados. Logo depois, ela e outros parlamentares seguiram para a residência oficial de Maia, onde trataram do mesmo assunto.
Segundo aliados do presidente da Câmara, Maia ficou contrariado ao saber que Temer havia procurado os dissidentes do PSB, mesmo tendo conhecimento das negociações de filiações para o DEM. Interlocutores de Maia disseram que ele já tinha avisado pessoalmente Temer sobre as tratativas.
Um auxiliar do Planalto reconheceu que a iniciativa do presidente foi "afoita", mas ponderou que faz parte do perfil de Temer atender aos parlamentares para tentar unir a base.
Segundo a líder do PSB, dois deputados estão "muito decididos" a mudar para o DEM: Heráclito Fortes (PI) e José Reinaldo (MA). Na negociação, disse, o principal aspecto levado em consideração é a realidade política de cada Estado. Forte também negocia ir para o DEM.
Trégua
Após a polêmica, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), negou a crise. "O PMDB não está atuando para barrar nenhuma filiação ao DEM, até porque o DEM é aliado de primeira hora. Desminto a tentativa de intriga."
Após o desgaste que o encontro de Temer com deputados do PSB causou, os ministros Mendonça Filho (Educação), do DEM, e Antonio Imbassahy (Governo), do PSDB, tiveram reunião com o presidente e sugeriram o jantar com Maia como demonstração de trégua. Participaram do encontro na casa de Maia, além de Mendonça e Imbassahy, o ministro Bruno Araújo (Cidades), do PSDB, e o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).
Na saída do jantar, Imbassahy tentou minimizar o mal-estar entre Temer e Maia e negou que o presidente tenha feito o convite aos dissidentes do PSB.
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