Sindicatos e entidades de classe têm se posicionado contrariamente à Reforma da Previdência proposta pelo governo de Minas Gerais. Nesta segunda-feira (20), o chefe do Executivo estadual, Romeu Zema (Novo), criticou a postura dos representantes e insinuou que alguns deles obtinham vantagens indevidas durante a gestão de seu antecessor, Fernando Pimentel (PT).
“O pessoal que estava acostumado com ‘rachadinha’ e não sei mais o quê, agora fica dando do contra. Escute com reservas quando a crítica partir desse tipo de público. Enquanto o Estado estava saqueando as prefeituras e mandando o nome de 240 mil funcionários públicos para o SPC, esse pessoal estava calado. Não falou nada”, disparou, durante transmissão ao vivo feita por meio das redes sociais.
Ilegal, a “rachadinha” citada por Zema é uma prática que ocorre quando funcionários repassam parte de seus vencimentos a políticos e assessores.
Filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) é investigado por suposto esquema do tipo, ocorrido quando ele era deputado estadual em solo fluminense. Seu ex-assessor, Fabrício Queiroz, está em prisão domiciliar.
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“Sejam críticos. Tem muitos sindicalistas querendo só visibilidade e polêmicas. Falam ‘você está sendo prejudicado’. Mentira! No último governo, quando o funcionário público estava sendo prejudicado, esses sindicalistas não levantaram a mão, pois podiam dar emprego a um ‘punhado’ de gente da ‘turminha’ deles”, afirmou.
Na última quinta-feira, o Executivo recebeu documento com 244 reivindicações sobre a Reforma. O texto, elaborado por 30 sindicatos, nasceu a partir de seminário promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Os grupos pedem, sobretudo, mudança no sistema de alíquotas progressivas desejado pelo governo.
Outro lado
Héder Martins, presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (ASPRA/MG), discordou das afirmações de Zema.
“Por mais que as entidades militares não sejam sindicatos, no governo Pimentel fizemos inúmeras manifestações, inclusive uma delas culminou na invasão do Palácio da Liberdade. Três mil policiais estão respondendo inquérito por conta daquilo. Ou seja: não houve silêncio”, salientou.
Em outro momento da live, Zema criticou Pimentel de forma direta. Ele chegou a afirmar que o ex-governador “só mentia”. Em resposta, o petista disse esperar que o chefe do Executivo “comece a governar”.