O ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga disse que não está preocupado se o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usará as doações que recebeu via Pix para pagar as multas judiciais que deve ao estado de São Paulo. Gonzaga foi um dos doares do montante de R$ 17,1 milhões arrecadado por Bolsonaro, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Admar, que é amigo do ex-presidente, doou a Jair Bolsonaro R$ 5 mil. No entanto, o advogado declarou que ele deve usar o dinheiro "da forma como bem entender". "Ele vai pagar na hora que ele entender que esgotou os recursos judiciais cabíveis como qualquer cidadão. Eu não estou preocupado se ele vai pagar a multa, se não vai pagar a multa", disse o ex-ministro do TSE, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.
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Nesse sábado (29/7), em um encontro estadual do Partido Liberal (PL) Mulher em Florianópolis (SC), o ex-presidente Jair Bolsonaro falou a apoiadores que o valor arrecadado dá para pagar "todas as suas contas" e ainda "tomar um caldo de cano com pastel".
Questionado se arrepende de ter doado o dinheiro, Gonzaga nega. Ele inclusive apoia a atitude de Bolsonaro de ter "investido" o dinheiro.
"De forma alguma . Todo o dinheiro tem que ter remuneração. Dinheiro parado num País que está com inflação galopante e com todas essas incertezas que estão aí atormentando as pessoas, eu acho que ele fez muito bem de investir, de buscar remunerar esse dinheiro. Eu acho até uma atitude responsável", declarou em entrevista.
Para ele, o ex-presidenta também não tem que devolver o valor arrecado. "Eu acho que ele tem que guardar esse dinheiro e utilizar para as necessidades dele. Eu não estou cobrando a atuação dele com relação ao dinheiro. Acho que ninguém que fez um depósito está preocupado com isso. Eu, pelo menos, não estou", finalizou.