André Murad
André Murad
Diretor-executivo da Clínica Personal Oncologia de Precisão de BH. Oncologista e oncogeneticista da OncoLavras.
ONCOSAÚDE

Poluição ambiental e câncer de pulmão

Nos últimos anos, temos experimentado ondas de calor crescentes, incêndios florestais, secas acentuadas  e eventos climáticos extremos

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Um estudo da Agência para Pesquisa sobre Câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o câncer de pulmão  se tornou a quinta principal causa de morte em pessoas que nunca fumaram. Já em 2021, a OMS chamava a atenção para as mudanças climáticas como sendo a maior ameaça à saúde enfrentada pela humanidade.


No entanto, a mudança climática é frequentemente percebida pela população como uma ameaça ambiental ou um problema político, mas não como um problema de saúde. Nos últimos anos, temos experimentado ondas de calor crescentes, incêndios florestais, secas acentuadas e eventos climáticos extremos — fenômenos esses que impactarão inclusive a incidência, o prognóstico e o tratamento de alguns tipos de câncer. 


O câncer de pulmão é o número um em homens e mulheres nos EUA. A maioria das pessoas pensa sempre no maior risco de câncer de pulmão associado ao tabagismo. Entretanto, a poluição do ar também pode causar câncer de pulmão. Evidências contundentes demonstram que a poluição por partículas no ar externo que respiramos - como a proveniente de escapamentos de veículos, usinas de energia a carvão e outras fontes industriais - pode causar câncer de pulmão. 

 


A poluição por partículas aumenta o risco de morte precoce, doenças cardíacas e ataques de asma, e também pode interferir no crescimento e na função dos pulmões. A poluição do ar interno, como o gás radônio, também pode causar câncer de pulmão.  


O que é poluição por partículas?


É uma mistura de pequenas partículas sólidas e líquidas no ar e pode ser composta por vários componentes, como ácidos, produtos químicos orgânicos, metais, solo e partículas de poeira. Ela pode ser emitida diretamente por fogões a lenha, incêndios florestais, veículos e outras fontes, e também pode se formar a partir de outros tipos de poluição que vêm de fontes como usinas de energia.


Essas partículas são uma pequena fração do diâmetro de um fio de cabelo e muito menores do que um grão de areia. Pesquisas estão em andamento para determinar como o tamanho e os diferentes compostos nessas partículas afetam a saúde humana.


Por que prejudica a saúde? 


Embora respirar tamanhos maiores de poluição por partículas possa ser prejudicial à nossa saúde, as menores são mais perigosas. Partículas maiores podem irritar seus olhos, nariz e garganta, mas as defesas naturais nos ajudam a tossir ou espirrar. Infelizmente, essas defesas não impedem a entrada de partículas menores, que ficam presas profundamente nos pulmões e podem até entrar na corrente sanguínea, causando danos à saúde.


 

Ao contrário de muitos países industrializados e em processo de industrialização, os níveis de poluição do ar nos Estados Unidos têm diminuído, graças principalmente ao sucesso das medidas tomadas sob o Clean Air Act. Ainda assim, a pesquisa médica deixa claro que o que não podemos ver pode nos adoecer. Embora os níveis de poluição do ar nos EUA estejam bem abaixo dos da China, níveis mais baixos de poluição por partículas encontrados aqui nos EUA também foram associados ao câncer de pulmão. Ainda há muito trabalho a ser feito para reduzir os níveis de poluição por partículas em todo o mundo. Vidas dependem disso.


Quem corre mais risco?


A maioria das pessoas ainda não sabe que a poluição por partículas é um fator de risco para câncer de pulmão. Por isso é importante o processo de disseminação dessas informações. 


Sabemos que partículas finas podem entrar profundamente nos pulmões e estão associadas ao câncer de pulmão, mas mais pesquisas precisam ser feitas sobre a maneira como essas partículas iniciam o processo cancerígeno dentro dos pulmões. Qualquer pessoa que habite onde os níveis de poluição por partículas são altos, corre maior risco. Algumas pessoas enfrentam maior risco, incluindo crianças, idosos, pessoas com doenças pulmonares e cardíacas, diabetes, pessoas com baixa renda e pessoas que trabalham ou se exercitam ao ar livre.


A limitação das atividades físicas ao ar livre de acordo com a previsão do índice de qualidade do ar para o dia e evitar se exercitar em rodovias com muito tráfego, independentemente da previsão geral, são medidas preventivas consideradas relevantes. 


Como indivíduos, podemos tomar medidas para limitar contribuições para fontes locais de poluição, não queimando madeira ou lixo, e não deixando veículos em marcha lenta, especialmente motores a diesel.

 

 

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