
Urbanista protesta contra projeto que transforma a Praça Sete em Times Squa
Para Gustavo Penna a Praça Sete "é o coração de nossa cidade, onde todos cruzamos e nos encontramos na lida da vida. Esconder o coração atrás de painéis não tra
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Abaixo-assinado encabeçado pelo urbanista e arquiteto Gustavo Penna é contra a Lei 11.828/2025, que permite a instalação de painéis luminosos para publicidade na Praça Sete, Centro de Belo Horizonte, transformando o espaço em uma cópia da Times Square, em Nova York. Até ontem, às 15h, na plataforma Charge.org, havia 3.942 das 5.000 assinaturas pretendidas. Os painéis deverão ter altura entre três metros e 40 metros, e espessura máxima de 1,70m, e poderão ser instalados nas esquinas da Avenida Amazonas com Rua Rio de Janeiro, em ambos os lados da Avenida Afonso Pena; da Amazonas com Rua dos Carijós, em ambos os lados da Afonso Pena; da Afonso Pena com Rua Rio de Janeiro, em ambos os lados da Amazonas; e da Afonso Pena com Carijós, em ambos os lados da Amazonas.

“Não dá muito certo substituir as belas e bem traçadas curvas do mestre Niemeyer pelo menor preço do frango desossado”
Gustavo Penna, Urbanista e arquiteto
• TAPA NA CARA
Em sua defesa para evitar o que muitos, inclusive a coluna, consideram uma cafonice e agressão visual ao centro da cidade já tão combalido, Gustavo Penna afirma: “Belo Horizonte não é Nova York, não. Belo Horizonte é belo porque é nosso. E é nosso porque tem a nossa cara, nossa identidade, nossa paisagem. Esconder a paisagem atrás de painéis fere nosso rosto: tapa na cara! Praça Sete não é Times Square não. É o coração de nossa cidade, onde todos cruzamos e nos encontramos na lida da vida. Esconder o coração atrás de painéis não traz vida, ao contrário, a retira: morte por asfixia”.
•MESTRE NIEMEYER
Ele continua: “Avenida Afonso Pena não é Broadway, não. É lugar muito diferente, não alimenta a Times Square de espetáculos e fotos de belas musas. Não precisamos de painéis que vão anunciar ofertas de supermercados e propagandas de governo. Não dá muito certo substituir as belas e bem traçadas curvas do mestre Niemeyer pelo menor preço do frango desossado. Nossos prédios são belos, não nasceram para se ocultar, como se tivessem vergonha de si. Ao contrário, nossas esquinas são potentes, nossas formas são fortes, curvas e retas se encontram na harmonia do diálogo que o obelisco orquestra”.
• REQUALIFICAÇÃO
Para o arquiteto e urbanista, a cultura da cidade não pode ser achatada por interesses comerciais e os prédios não são suporte de outdoors. “A requalificação do Centro se faz com políticas públicas, não com poluição visual. Aqueles que agredirem nossa paisagem, nossa cultura, nossos prédios, estarão assinando sua recusa à cidadania. Nós, aqui orgulhosamente nominados, assinamos nosso amor pela cidade: que Times Square fique por lá”.
• SEM PEDIDOS
Por meio da Secretaria Municipal de Política Urbana, a PBH informou em nonta, publicada quarta-feira, no Estado de Minas, que até aquele dia não havia registro de solicitação de instalação dos painéis. Ainda de acordo com a nota, a administração municipal também declarou não ser responsável pela comercialização das placas.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.