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Juros altos esfriam ímpeto das indústrias brasileiras
As indústrias mais afetadas com o aumento do custo dos financiamentos devem ser a de construção e a de bens de consumo mais dependentes do crédito
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A elevação da taxa básica de juros (Selic) de 12,25% para 13,25% já era amplamente esperada pelos agentes econômicos, mas caiu como uma ducha de água fria sobre a indústria brasileira, que vem sendo afetada pelas importações de produtos da China e pela elevação dos custos financeiros. No fim do ano passado, a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) divulgou uma expectativa de crescimento de 2,1% para este ano, já considerando uma desaceleração em 2025. Mas a necessidade de novas altas da Selic devem levar a entidade a rever para baixo a projeção. Isso porque a alta dos juros eleva o custo de investimentos e limita a disponibilidade de crédito. Isso em contar o efeito sobre a demanda.
Para a indústria, além de olhar para a inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deveria considerar não apenas a inflação no curto prazo, mas também os efeitos das medidas de contenção de gastos do governo federal e a própria redução do crescimento econômico. “Insistir no aumento da Selic, considerando que já tem embutidos juros reais de cerca de 7%, faz com que o setor industrial adie investimentos essenciais, voltados à modernização ou expansão da sua matriz de produção, deixando de melhorar sua produtividade e desperdiçando oportunidades de contribuir com o crescimento do país”, afirma a CNI em nota.
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As indústrias mais afetadas com o aumento do custo dos financiamentos devem ser a de construção e a de bens de consumo mais dependentes do crédito, com o crescimento dessas áreas deve ser reduzido pela metade neste ano. “A alta das taxas de juros eleva os custos de se investir e limitam a disponibilidade de crédito. Além disso, as maiores taxas de juros também tendem a conter a demanda”, observa a instituição no documento. Mas o desaquecimento desses setores repercute em outros segmentos, como bens de capital e máquinas e equipamentos, uma vez que com menor crescimento as indústrias tendem a reduzir os aportes em expansão e modernização.
“A CNI destaca que o custo financeiro dos juros altos se acumula ao longo da cadeia produtiva, o que amplifica seus danos. Na indústria, setor que é estruturado em cadeias longas, esse efeito é devastador. O custo financeiro embutido no produto industrial final pode representar até 25% do preço ao consumidor, o que é insustentável para a competitividade do setor”, reforça a entidade em nota. O presidente da CNI, Ricardo Alban, em artigo recente, lembrou que “a indústria de transformação, amparada pela Nova Indústria Brasil, demonstrou capacidade de expandir empregos de qualidade, atrair capitais para infraestrutura e aumentar a arrecadação tributária”.
Ainda de acordo com Alban, o transbordamento da indústria de transformação para outros setores mostra a necessidade de se manter um ambiente macroeconômico equilibrado. “Contudo, o risco de que a política monetária restritiva e a alta do dólar sufoquem o ímpeto industrial e agrário em 2025 é real”, acrescenta o presidente da CNI. “Sem um direcionamento claro que una os setores público e privado, o país corre o risco de perder os ganhos recentes e mergulhar novamente em um cenário de instabilidade e baixo crescimento”, frisa o líder empresarial.
Máquinas e equipamentos
Além do impacto dos juros elevados, o setor de máquinas e equipamentos está sentindo o efeito das importações da China. Dados da associação das indústrias de máquinas e equipamentos revelam que “o consumo aparente de máquinas e equipamentos encolheu 0,2% em 2024 e que a receita líquida interna caiu 11%, recuando para 54% a sua participação no consumo nacional, uma perda de 6 pontos percentuais do mercado em relação ao ano de 2023.”
Em 2024 as importações de máquinas e equipamentos cresceram 16,6% em relação a 2023. As importações de máquinas e equipamentos atingiram, no ano passado, o maior nível da história. “O ano de 2025 será de grandes desafios. No mercado doméstico os efeitos da política monetária contracionista, já em curso, num ambiente de inflação acima da meta, devem refletir em desaceleração”, diz a Abimaq.
Franquias
US$ 121,7 bilhões é o faturamento total do mercado global de franquias em 2024, com crescimento de 15,8% em relação ao ano anterior
No campo
O Brasil importou 44,3 milhões de toneladas de fertilizantes no ano passado, um recorde histórico, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O número representa um crescimento de 8,3% em relação aos 40,9 milhões de toneladas importadas pelo país em 2023. Pelo Porto de Paranaguá chegaram 11 milhões de toneladas, enquanto por Santos foram 8,88 milhões de toneladas, segundo a Conab.
Fármacos
A Roche Farma Brasil fechou 2024 com um faturamento de R$ 4,6 bilhões, com um crescimento de 10% em relação a 2023. Segundo a empresa, o desempenho dos produtos inovadores, que tiveram alta de 38%. A empresa, que investiu R$ 600 milhões em pesquisa clínica no Brasil, que segue representando o sexto maior faturamento ente as afiliadas do Grupo Roche no mundo, excluindo os Estados Unidos.