Ciclo de debates

Obra de Pedro Moraleida e relação com literatura será debatida na AML

Mesa com Laymert Garcia e Verônica Stigger será realizada nesta quarta (12/2), na sede da Academia Mineira de Letras. Evento tem entrada gratuita

Publicidade

Inaugurado em agosto do ano passado, o projeto “Pedro Moraleida – 25 anos depois” vem realizando uma série de ações em memória da morte precoce do artista mineiro (1977-1999). As iniciativas, comandadas pelo Instituto Pedro Moraleida Bernardes, encabeçado por Luiz Bernardes e Nilcéa Moraleida, pais do artista, são divididas em duas frentes.


A primeira, batizada de “Ocupação Moraleida”, ocorre por meio de exposições que reúnem diferentes instituições em uma programação conjunta. Duas mostras já foram realizadas, “Moraleida contemporâneo”, na sede do instituto, e “Pedro Moraleida, conceitual”, no Viaduto das Artes, no Barreiro. Outras duas estão previstas para este ano. Em 19 de fevereiro, estreia na Academia Mineira de Letras (AML) a exposição “O grito de Pedro Moraleida”, centrada no Pedro escritor e no uso da palavra em sua obra. Por fim, em outubro, uma grande mostra será inaugurada no Inhotim.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba em primeira mão notícias relevantes para o seu dia

A segunda frente tem como foco fomentar debates sobre o atual estatuto das artes e as perspectivas para o futuro. Os ciclos de discussões, intitulados “Arte hoje: encontros…”, vêm acontecendo na AML desde setembro do ano passado. Ao todo, serão sete mesas até julho deste ano. Cada encontro reúne um convidado de projeção nacional ou internacional e um representante do cenário artístico mineiro. Já participaram do evento nomes como Jochen Volz, Lisette Lagnado e Marcos Hill.


Nietzsche devorado

“Discutir isso a partir do trabalho de Pedro é possível exatamente por ser uma obra premonitória, que antecipou não apenas questões, mas também formas de desenvolvimento da arte”, afirma Luiz Bernardes.

Hoje (12/2), às 19h30, a Academia recebe o professor, pesquisador, curador e autor Laymert Garcia, e a professora, pesquisadora e curadora independente Verônica Stigger. A mediação será da professora e pesquisadora Vera CasaNova. Além de abordar a relação entre literatura e artes visuais, o debate pretende discutir o papel da escrita na arte contemporânea. Recurso muito explorado por Pedro Moraleida, que incorporava palavras em seus desenhos e pinturas, tendo chegado a criar uma série intitulada “Desenhos com letras”.


O evento acontece no auditório da Academia, na Rua da Bahia, com entrada gratuita. As gravações dos encontros estão disponíveis no canal da AML no YouTube. “Os debates realizados até agora foram muito ricos. Alguns professores, inclusive, estão utilizando essas discussões em sala de aula”, comenta Luiz Bernardes.


Pedro Moraleida faleceu em 1999, 15 dias após completar 22 anos. Leitor contumaz, devorava obras de Deleuze, Nietzsche e Artaud. “Lia de tudo com uma voracidade enorme, assim como possuía um conhecimento vasto de música”, relembra o pai. O artista confrontava a concepção hegemônica que privilegiava a arte conceitual. Além de pintar e desenhar, também escrevia e fazia música.


Questões sociais

Sempre inconformado, Pedro Moraleida desenvolveu um trabalho profundamente ligado às questões sociais de seu tempo, indo contra a noção de que a arte deve ser neutra e técnica, sem tomar partido. “A arte de Pedro não é nem um pouco neutra. Ela antecipou debates que hoje estão em evidência, como questões de gênero e meio ambiente”, afirma Luiz.


Embora tenha iniciado sua trajetória artística na pré-adolescência, a maior parte dos mais de 2 mil trabalhos que compõem seu acervo foi produzida nos três anos que antecederam a sua morte. Especialmente no último ano de vida, sua produção se tornou ainda mais intensa, chegando a criar mais de três trabalhos por dia.


Formalmente inaugurado em 2018, o Instituto Pedro Moraleida Bernardes surgiu a partir de um esforço iniciado logo após a morte do artista. Na época, seus pais se reuniram com colegas – entre eles Cinthia Marcelle e Sara Ramo – e professores da Escola de Belas Artes da UFMG, onde Pedro estudava, para iniciar um levantamento e criar um inventário de sua produção.


“Quando Pedro morreu, decidimos nos limitar ao papel de pais, no sentido de guardar e conservar sua obra, deixando a parte propriamente cultural para especialistas da área”, relembra Luiz Bernardes.


O olhar dos pais sobre o trabalho do filho começou a mudar quando o crítico e historiador de arte suíço Hans Ulrich Obrist classificou a obra de Pedro como “extraordinária”. “No encerramento de uma exposição de arte brasileira no exterior, na qual o trabalho de Pedro estava presente, Obrist nos disse que se tratava de um artista extraordinário e que seu trabalho precisava ser mais estudado e divulgado.”


Polêmicas

O pai ainda lembra que as primeiras exposições de Moraleida foram alvos de várias polêmicas. “Sempre houve aqueles que acham genial e aqueles que dizem que isso não é arte”, comenta. Ele acredita que hoje há um entendimento muito maior sobre a obra do filho.


“Eu e minha esposa começamos esse trabalho por uma questão afetiva, para preservar a memória do nosso filho. Mas, com o tempo, percebemos que estávamos lidando com algo que extrapola o pessoal, que tinha uma força e uma potência que ultrapassam o ambiente familiar. A partir desse momento, estruturamos uma estratégia para organizar, preservar e expor sua obra”, conta.


“Hoje, dizemos que Pedro é um artista importante porque, desde que começamos a exibir seu trabalho, o retorno dos críticos e artistas sempre foi no sentido de que havia ali algo que transcendia o afeto, uma potência artística imensa”, destaca Luiz. Até o ano passado, o instituto estava muito focado na gestão e difusão do acervo. Em agosto, abriu sua sede ao público com uma exposição de Pedro. Agora, o espaço já conta com uma nova mostra, apresentando o trabalho do artista convidado Walter Sebastião.


“Nos últimos anos, Pedro se tornou um artista muito reconhecido, inclusive internacionalmente. O passo que estamos dando agora é consolidar essa sede, que além de garantir a preservação do acervo, também permite a difusão de sua obra”, conclui Luiz Bernardes.


“ARTE HOJE: ENCONTROS....”
Ciclo de debates. Com Laymert Garcia, Verônica Stigger e Vera CasaNova. Nesta quarta-feira (12/2), às 19h30, na Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia 1466 – Lourdes). Entrada gratuita.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay