MÚSICA

Cemitérios da Grande BH inspiram samba gravado por Fabinho do Terreiro

Composta por Gervásio Horta, canção cita Bosque da Esperança, Parque da Colina, Renascer, Paz, Consolação, Saudade e Bonfim. É música de amor, garante o autor

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Embora cite o nome de sete cemitérios de Belo Horizonte, o single “Sambatério”, que acaba de ser lançado pelo cantor Fabinho do Terreiro, é um samba romântico. “Não tem nada de tétrico, pois é uma briga de amor”, garante o autor, Gervásio Horta.


Fabinho conta que resolveu gravar o samba porque, de cara, gostou dele. “A música foi primeiramente para o Paizinho do Cavaco, cujo disco eu produziria. O Gervásio me ligou, dizendo que havia passado a música para Paizinho e me pediu fazer a produção do disco”, relembra.


Tudo pronto para produzir o álbum, Paizinho desistiu de “Sambatério”. Disse a Fabinho que “não sentia firmeza em gravar a música que falava de cemitérios”, conta o produtor. Quando ele deu a notícia a Gervásio, veio a resposta: “Então, grava você mesmo”.


Fabinho Terreiro fez o registro no Rio de Janeiro. “O pessoal do Rio ouviu e disse que o samba é maravilhoso, samba que não se faz há muitos anos”, comenta.


O cantor explicou aos cariocas que os cemitérios da Paz, Renascer, Consolação, Bonfim e Saudade ficam em Belo Horizonte. “Disse para eles: Gervásio Horta é o cara, o mentor dessa façanha. Completo, faz melodia e letra, um craque. Um grande músico que nasceu no interior de Minas e se mudou para BH aos 15 anos.”

Compositor Gervásio Horta está de lado, numa mesa de bar, e olha para a câmera
Gervásio Horta diz que compôs 'Sambatério' porque considera poéticos os nomes dos cemitérios de BH Beto Novaes/EM/D.A Press

“Sambatério” vai fazer parte do álbum que Fabinho do Terreiro planeja gravar com canções de Gervásio Horta. “Compositor extraordinário apaixonado por Belo Horizonte, os sambas dele contam a história da cidade e das pessoas importantes daqui. Também compôs inúmeros jingles, a maioria superconhecida dos mineiros”, observa.


O lançamento do single está ligado à explosão do carnaval em BH. “Gervásio Horta faz parte do pessoal que fez a cidade virar polo do samba, da cultura, da música e da gastronomia. Há mais de 60 anos ele vem fazendo música. Então, não podemos esquecer esse pessoal que capinou o lote pra gente morar”, comenta Fabinho do Terreiro.

Aos 87 anos, Gervásio Horta conta que recentemente se lembrou dos cemitérios da Grande BH. “Vi como os nomes deles são bonitos: Parque da Colina, Bosque da Esperança, Consolação, Saudade. Fiquei com aquilo na cabeça e acabei fazendo um samba romântico”, diz.

“Fabinho quis gravá-lo e me disse: 'Cantei a música no Rio de Janeiro, todo mundo gostou e tive que ficar explicando do que se travava. Diziam: Gervásio é doido, porque todo mundo fala é de mulher, naquela praça, naquele banco, e ele de cemitério?”

Gervásio brinca que pediu a Fabinho para lançar a canção no Dia de Finados, na porta do Cemitério do Bonfim. “Acontece que ele resolveu lançá-la agora”, diz. “Dei para ele há cerca de 10 dias. Depois, ele me ligou do Rio de Janeiro, porque andou gravando alguns sambas-enredo com as escolas de lá e acabou gravando 'Sambatério'. Voltou entusiasmado”, conta.


O mineiro é autor de um clássico da cidade: “Rua da Bahia”, parceria com Rômulo Paes, aquela do refrão “Eh eh, Maria/ Está na hora de ir para a Rua da Bahia”. Gervásio Horta é também parceiro de Sergio Moreira, Mílton Dias, Celso Garcia, Caxangá e Serginho Beagá, entre outros.

“SAMBATÉRIO”

• De Gervásio Horta

Você roubou meu juízo
Matando a minha paz
Vê se para com isso
Não fique assim
Do jeito que a coisa vai eu penso
Que estou indo direto pro Bonfim

Sem consolação
Mas com maldade
O nosso amor ficou na
saudade

O bosque da esperança
Saiu da nossa rotina
Eu só vou renascer
Lá no parque da colina

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