Entregadores de apps de BH fazem manifestação e aderem à greve nacional
Mobilização na capital começou na Praça da Estação e seguiu até a Praça da Savassi; motoboys também realizam hoje o "breque", que é a paralisação das entregas
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Siga noMotoboys que prestam serviço para a plataformas de entrega como iFood, 99 e Uber participam, nesta segunda-feira (31), de uma paralisação nacional para reivindicar melhores condições de trabalho. Em Belo Horizonte, a mobilização começou às 9h na Praça da Estação, na Região Central, e seguiu pela Praça Sete, Rua da Bahia e Praça da Liberdade, encerrando-se na Praça da Savassi, na Região Centro-Sul da capital.
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Os entregadores pedem um reajuste na taxa mínima das corridas que, segundo eles, não sofre alterações há três anos. A categoria também defende o pagamento mínimo de R$ 10 por entrega de até 4 km, com acréscimo de R$ 2,50 por quilômetro extra. Além disso, exigem o fim das rotas duplas, prática em que o aplicativo agrupa pedidos, mas paga apenas por uma entrega. Outra reivindicação é que os motoboys sejam chamados para retirar os pedidos apenas quando estiverem prontos, evitando a espera sem remuneração.
Vanessa Barbosa Muniz, que presta serviço para a plataforma há sete anos em Belo Horizonte, destacou que as empresas de aplicativos lucram bilhões às custas dos trabalhadores, sem abrir espaço para diálogo sobre reajustes. "O iFood, a Uber e a 99 arrecadam mais de sete bilhões por ano em cima dos motoqueiros, mas não escutam a gente. Estamos aqui pedindo voz e respeito", afirmou.
Após as manifestações na região Central de Belo Horizonte, os grupos se dividirão para seguir até shoppings, redes de fast food e as sedes de empresas como Uber e 99, na capital. A intenção é pressionar as grandes corporações a melhorarem as condições de trabalho dos entregadores.
Além da manifestação, os motoboys também realizam hoje o “breque”, que é a paralisação das entregas. De acordo coma categoria, a greve será mantida até o fechamento dos estabelecimentos e a mobilização continuará amanhã.
Gustavo Túlio, um dos organizadores do ato, reforçou que a categoria continuará pressionando as plataformas até que suas demandas sejam atendidas. "Se não resolverem, vamos parar quantas vezes for necessário. Durante a pandemia, fomos chamados de heróis, mas hoje somos tratados como escravos", protestou.
A manifestação deste ano, ao contrário da realizada em 2020, que teve adesão parcial em alguns estados, ocorre simultaneamente em diversas regiões do país. Belo Horizonte foi uma das capitais nos 20 estados, entre os 27 da federação, que aderiram ao movimento.
A reportagem procurou o iFood, a Uber e a 99 para comentar sobre a situação. Em nota, o iFood afirmou que respeita o direito à manifestação pacífica dos entregadores e que está estudando a viabilidade de um reajuste para 2025. A empresa destacou aumentos nos ganhos dos entregadores nos últimos anos, como o reajuste de 13% no valor mínimo da rota em 2022 e a introdução de um adicional de R$3,00 por entrega extra em 2024. Também ressaltou que o ganho bruto por hora trabalhada é quatro vezes maior que o salário mínimo-hora nacional e que todos os entregadores têm acesso a seguro pessoal gratuito, planos de saúde e apoio jurídico e psicológico.
A empresa também reforçou a importância de respeitar o funcionamento dos estabelecimentos parceiros e garantir a livre circulação de funcionários e da população, conforme previsto na Constituição, sempre prezando por um ambiente seguro e livre de qualquer tipo de violência.
Em nota, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que responde pelas empresas Uber e 99, informou ao Estado de Minas que respeita o direito de manifestação e que suas empresas associadas mantêm canais de diálogo contínuo com os entregadores.
Sobre a remuneração dos profissionais, a Amobitec informou que de acordo com o último levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a renda média de um entregador do setor cresceu 5% acima da inflação entre 2023 e 2024, chegando a R$ 31,33 por hora trabalhada.
Por fim a nota informa que: "as empresas associadas da Amobitec apoiam a regulação do trabalho intermediado por plataformas digitais, visando a garantia de proteção social dos trabalhadores e segurança jurídica das atividades. Além disso, atuam dentro de modelos de negócio que buscam equilibrar as demandas dos entregadores, que geram renda com os aplicativos, e a situação econômica dos usuários, que buscam formas acessíveis para utilizar serviços de delivery."
Diálogo aberto
A Superintendência Regional do Trabalho em Minas Gerais (SRTE) afirmou, por meio de nota, que acompanha as reivindicações dos entregadores de aplicativos em Belo Horizonte. O órgão destacou que está em contato com representantes da categoria para ouvir as demandas.
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O superintendente Carlos Calazans reforçou que a entidade está à disposição para dialogar sobre as pautas do movimento. “A Superintendência está à disposição e permanece em contato com os representantes dos trabalhadores em Minas Gerais”, afirmou.