Enquanto muitos carros saem de linha em alguns mercados, eles podem encontrar nova vida e longevidade em outros países. Esse fenômeno se deve, na maioria, a diferentes políticas de emissões e necessidades de mercado localizadas. Exemplos como Chevrolet Cobalt, Fiat Uno e Volkswagen Gol ilustram esta realidade.
No Brasil, modelos icônicos como o Fiat Uno e o Chevrolet Cobalt foram descontinuados, em parte, devido às normas ambientais mais rigorosas. Ainda assim, alguns desses carros ganham sobrevida em outros locais, adaptados às preferências e regulamentações locais.
Quais carros permanecem em produção fora de seus mercados originais?
O Chevrolet Cobalt, por exemplo, deixou de ser fabricado no Brasil em 2020. No entanto, continua a ser produzido no Uzbequistão, com vendas na Rússia e Belarus. A versão uzbeque se diferencia pelo motor 1.5 16V, distinto do 1.8 usado anteriormente no Brasil.
Outro exemplo é o IKCO Dena, um sedã iraniano baseado na plataforma do antigo Peugeot 405. Mesmo com o design atualizado em 2015, o veículo ainda continua a ser fabricado tanto no Irã como no Azerbaijão, embora com o visual original.
Por que alguns modelos mantêm produção por décadas?
Modelos como o Zamyad Z24, derivado dos antigos veículos comerciais Nissan, permanecem em produção no Irã desde 1970. Sua longevidade se deve à simplicidade de projeto e ao baixo custo de produção, tornando-o popular em mercados que valorizam veículos robustos e acessíveis.
A durabilidade e a popularidade do Toyota Land Cruiser também se destacam. Lançado originalmente em 1984, o modelo continua em produção, sendo atualizado com novos itens de segurança para atender a requisitos modernos, especialmente em mercados como o Japão, onde sempre foi favorito.

Quais são alguns modelos ressuscitados em outros países?
Na Tunísia, o Wallys 719, uma reinterpretação do Peugeot 207 Sedan, usa bases do automóvel iraniano ICKO Runna. Essa versão ousada prova que a reciclagem de designs antigos pode atender a gostos específicos de mercado sem comprometimento de identidade.
O Lada Niva, em produção há quase 50 anos, ganhou recentemente uma versão Sport, substituindo o antigo motor por um 1.6 16V mais potente. Isso demonstra a continuidade dos esforços para manter modelos clássicos relevantes em mercados modernos.
A continuidade das vans e veículos comerciais clássicos.
Veículos comerciais, como a lendária “Kombi russa“, permanecem em produção sem grandes mudanças desde 1965. Destaca-se pela tração 4×4 e espaço interior versátil. Sua popularidade se estendeu até a Bolívia, onde foi vendida até recentemente.
Além disso, a primeira geração da Renault Trafic ainda vive na Índia como Tata Winger, equipada com um moderno motor 2.2 turbodiesel Euro 6, mostrando que a flexibilidade na adaptação das normas pode prolongar a vida útil de modelos clássicos.
O panorama automotivo global revela como leis, cultura e economia influenciam a presença e a produção de veículos. Ao adaptarem-se a novos mercados, esses carros antigos provam ser resistentes, encontrando novas oportunidades e cumprindo funções essenciais, mesmo após décadas de sua estreia original.