Conforme noticiado pelo Estado de Minas, o ex-vereador de Belo Horizonte Wellington Magalhães está sendo acusado pela ex-esposa de agressão -  (crédito:  Gladyston Rodrigues/EM/D.A Pres - 14/08/2019)

Conforme noticiado pelo Estado de Minas, o ex-vereador de Belo Horizonte Wellington Magalhães está sendo acusado pela ex-esposa de agressão

crédito: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Pres - 14/08/2019

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), por meio do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Belo Horizonte, determinou que o ex-vereador Wellington Magalhães saia da casa em que morava com a ex-esposa, na Região da Pampulha.

 

A medida foi expedida na segunda-feira (1º/7), depois que o ex-parlamentar descumpriu uma ordem de medida protetiva, emitida em abril, e permaneceu no imóvel. Ao Estado de Minas, Kelly Jaqueline Maciel Pinto afirmou que o ex-presidente da Câmara Municipal a agrediu com socos e empurrões


No documento a que a reportagem teve acesso, o juiz José Romualdo Duarte Mendes afirma que, apesar da decisão de 16 de abril deste ano ter definido que Magalhães ficasse afastado de qualquer local de “convivência” com a ex-esposa, o mesmo não foi cumprido. A medida era vigente enquanto houvesse “risco à integridade física, psicológicas, sexual, patrimonial ou moral” da mulher e seus filhos.

 

“O que se extrai dos autos [do processo] é que o requerido [o ex-vereador] se encontra, deliberadamente, descumprindo a ordem judicial de afastamento do lar, usando de suas próprias razões para subverter ao comando que lhe foi dado”, afirmou o juiz na decisão. 


Para que a ordem liminar seja cumprida, o magistrado determinou que o ex-parlamentar saia do imóvel  “independente de a vítima estar ou não na residência”. Caso seja necessário, a sentença demanda que seja solicitado “auxílio de força policial”. Ao denunciado, está permitida a retirada de pertences de uso pessoal. “Tão logo cumprida a determinação de afastamento do lar requerido, a vítima deverá, ainda, ser reconduzida ao imóvel”. 


 

A medida protetiva também proíbe Magalhães de se aproximar a menos de 200 metros de distância e de entrar em contato com a vítima, seja por celular, mensagens ou redes sociais. No entanto, a determinação judicial, conforme relatado por Mateus dos Santos, atual namorado de Kelly, não tem sido respeitada. O companheiro da vítima afirma que, apesar do pedido de distanciamento, Wellington tem ficado em um bar, próximo à casa da mãe da companheira. “Ele fica lá afrontando quando a gente passa”, disse Santos.


Procurada pela reportagem, a defesa de Wellington Magalhães informou que não vai se manifestar sobre a decisão judicial uma vez que o processo se encontra em segredo de Justiça. 


Acusado de agressão 


Conforme noticiado pelo Estado de Minas, o ex-vereador de Belo Horizonte Wellington Magalhães está sendo acusado pela ex-esposa de agressão. Kelly Jaqueline Maciel Pinto afirma que o ex-presidente da Câmara Municipal a agrediu com socos e empurrões em abril deste ano.

 

Os dois estão divorciados há seis anos, mas desde setembro do ano passado estariam morando na mesma casa devido a problemas financeiros. O convívio permaneceu até a data da suposta agressão, sob a condição de que Wellington saísse do imóvel. Os mandatos de Magalhães e seus direitos políticos foram cassados em novembro de 2019 por improbidade administrativa, tráfico de influência, ameaça a outros vereadores, abuso de prerrogativa e por prestar falsa declaração às autoridades.


 

Em uma conversa entre os dois, gravada por Kelly e enviada à reportagem, o ex-parlamentar pede à ex-companheira a chave de um carro. Ao receber como resposta que o veículo só seria entregue após a retirada dos documentos da mulher do cadastro do aluguel, Magalhães começa a gritar e pega o celular de Kelly. Ao ser confrontado para entregar o aparelho, o ex-vereador bate em alguma coisa e manda a mulher sair de perto. 


Em um dos áudios, o filho do casal, de 14 anos, é chamado pela mãe para tentar pegar o celular, mas não consegue e é possível ouvi-lo pedindo ao pai para 'parar'. Em seguida, ainda conforme à gravação enviada à reportagem, o ex-vereador parece jogar o aparelho no chão. O jovem então pede que o pai se acalme, o que também não acontece. 


“Eu vou ligar para a polícia. Ele me deu um soco”, diz Kelly. Em seguida, Wellington Magalhães nega o fato e diz que a companheira pode ligar para as autoridades. 


“Que te dei um soco, ‘sô’. Me dá a chave do meu carro. Você quer me peitar? Então você me peita. Você nem entra aqui mais. Some daqui. Some daqui. Só isso que eu ‘tô’ te avisando. Vai para a sua casa. Eu não tenho conversa com você, não. Não converso com put* não”, diz Wellington Magalhães. 


Ao mandar a ex-esposa embora, Wellington afirma que a filha do casal não será levada pela mãe. Nos áudios, o homem afirma que, caso isso aconteça, irá “picar” Kelly. “Quero ver você levar ela. Leva ela que eu vou te mostrar quem eu sou. Pode me pôr na cadeia. Leva ela, que eu te cato lá. Eu pico você toda. Eu sou pai dela. Me peita. Você não some daqui não para você ver. Você vai ver se eu ‘tô’ brincando”. 


A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que instaurou os respectivos inquéritos policiais para apurar os fatos denunciados. Ambos procedimentos foram concluídos e encaminhados ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para análise quanto à conveniência para o oferecimento ou não da denúncia.

 

Por meio de nota, os advogados de Wellington Magalhães manifestaram sua “imensa tristeza” pela divulgação de informações que envolvem sua vida particular e que transitam sob sigilo judicial. Sobre as acusações feitas pela ex-esposa, ele diz serem informações falsas, com o objetivo de “denegrir sua imagem”.

Confira a nota na íntegra


"WELLINGTON GONÇALVES DE MAGALHÃES, através da sua advogada, Dra. Micheline Abreu Peixoto, esclarece que, sobre entrevista gravada pela sua ex-mulher a Sra. Kelly Jaqueline Maciel, da qual aborda questões processuais que correm sob sigilo judicial, manifesta sua imensa tristeza em tornar público fatos que envolvem sua vida particular e, em via de consequência, sua exposição e de seus filhos, ainda menores.

O ex-casal está divorciado há quase 6 (seis) anos sem qualquer desgaste pessoal entre ambos, tendo em vista que todas as decisões judiciais já proferidas vem sendo cumpridas e não compreende a sua postura em divulgar fatos, inclusive lhe imputando falsas acusações.

Entende-se que tal postura tem o intuito de, além da tentativa em denegrir a sua imagem, usa de subterfúgio para tentar alterar questões judiciais que já não cabem mais recursos.

Ressalta-se que, diferentemente da Sra. Kelly, não adentrará aos fatos para preservar sua imagem e, principalmente, de seus filhos.

Ademais, relata que vem sofrendo ataques injuriosos, difamatórios e ameaçadores, via redes sociais, promovidos pela a Sra. Kelly e seu atual companheiro e que já estão sendo tomadas todas as medidas processuais cabíveis"

 

Quem é Wellington Magalhães?


Wellington Magalhães foi vereador de Belo Horizonte entre 2005 e 2019 e ocupou a Presidência da Câmara Municipal de Belo Horizonte no período entre 2015 e 2016.

 

Durante seu quarto mandato, ele foi apontado como suposto líder de um esquema de manipulação de licitações e contratos de publicidade para favorecer determinadas empresas em troca de vantagens financeiras. As acusações incluíam corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.

 

As investigações do Ministério Público de Minas Gerais, iniciadas em 2016, revelaram que Magalhães teria se beneficiado de contratos superfaturados e utilizado empresas de fachada para desviar recursos públicos, causando um prejuízo estimado em R$ 30 milhões aos cofres públicos.

 

Ele foi preso em 2018 e novamente em 2019, quando teve seu mandato cassado pela Câmara Municipal devido às acusações de corrupção, mas foi posteriormente solto por decisão judicial. Na mesma época, sua então esposa, Kelly Magalhães, também foi presa e investigada.

 

Em 2020, Wellington Magalhães foi indiciado pela Polícia Federal por omissão de R$ 2,6 milhões à Justiça Eleitoral nas eleições de 2016. A investigação também identificou enriquecimento ilícito e desvio de verba pública.

 

Dois anos depois, ele foi condenado a 31 anos de prisão em regime fechado por lavagem de dinheiro, relacionada à compra de imóveis, veículos e viagens internacionais. Apesar da sentença, não foi determinada prisão preventiva, mas houve o confisco e perda dos bens adquiridos de forma ilícita.

 

No ano passado, a Justiça determinou o bloqueio de bens de Magalhães devido ao uso de funcionários da Câmara para serviços particulares e por contratos fraudulentos durante seu mandato como presidente da Câmara. 

 

(Colaborou Silvia Pires)