TECNOLOGIA

Biofábrica para combater a dengue em MG foi inaugurada, mas nunca funcionou

Dez meses após inauguração, equipamento fundamental na redução das arboviroses no estado apresenta problemas estruturais e não tem data para entrar em operação

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A Biofábrica Método Wolbachia, do governo de Minas, localizada no Bairro Gameleira, Região Oeste de BH, aposta na produção de mosquitos Aedes aegypti com uma bactéria que impede o desenvolvimento dos agentes causadores também da zika, chikungunya e febre amarela. No entanto, não entrou em operação quase 10 meses depois de sua inauguração, em abril de 2024. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), problemas estruturais impediram o funcionamento.

O equipamento é administrado pela SES-MG e pela Fiocruz, e foi construído com recurso de parte do Acordo Judicial firmado com a Vale, em razão dos danos provocados pelo rompimento da barragem de Brumadinho, em janeiro de 2019. A participação da mineradora também prevê o custo das operações da estrutura por cinco anos. 

As obras da biofábrica começaram em fevereiro de 2023 e o espaço conta com instalações de laboratórios e espaços destinados ao setor administrativo, tudo para atender a estimativa de produzir semanalmente 2,5 milhões de mosquitos. Quando inseridos no meio ambiente, eles se reproduzem com os Aedes aegypti locais e estabelecem uma população com a bactéria, que impede que os vírus se desenvolvam. Isso contribui para a redução da transmissão das arboviroses. 

Pelo termo de compromisso, na primeira fase do projeto os mosquitos com a bactéria seriam soltos, com a concordância da população, em Brumadinho e em outros 21 municípios vinculados à Bacia do Rio Paraopeba (Betim, Cachoeira da Prata, Caetanópolis, Curvelo, Esmeraldas, Felixlândia, Florestal, Fortuna de Minas, Ibirité, Igarapé, Juatuba, Maravilhas, Mário Campos, Papagaios, Pará de Minas, Paraopeba, Pequi, Pompéu, São Joaquim de Bicas, São José da Varginha e Três Marias). O prazo para início do trabalho era janeiro deste ano, porém, a produção com Wolbachia não tem mais uma data prevista.

A secretaria informou que, “após a conclusão das obras da biofábrica em abril do ano passado, a Fiocruz iniciou as tratativas referentes à Operação Assistida - etapa de realização de testes nas instalações com acompanhamento por especialistas para garantir que todos os equipamentos e processos funcionem corretamente”. 

Desde o começo desse processo, no entanto, foram detectados problemas estruturais recorrentes. “Com ênfase na oscilação de temperatura e umidade nas instalações da biofábrica que excedem os padrões exigidos, ocorrência de vazamentos e interrupções de energia”, diz a SES-MG em nota.

A pasta ainda afirma que a Vale S.A é responsável pela construção e tem realizado intervenções para solucionar os problemas identificados. “O Estado estima que a operação para produção de mosquitos com Wolbachia inicie ainda em 2025. Mas somente após a conclusão dos reparos e validação da SES-MG e da Fiocruz/WMP de que as instalações estão adequadas para o funcionamento será possível precisar uma data de início da operacionalização da Biofábrica”, pronunciou.

Procurada pelo Estado de Minas, a mineradora esclareceu que foi responsável pela obra e será responsável pelo financiamento do projeto por cinco anos. Além disso, mencionou que é comum que, durante os testes, sejam necessários ajustes para o adequado funcionamento dos sistemas e tratamento de eventuais apontamentos acerca do projeto. “Destaca-se que, na visão da Vale, desde o início da Operação Assistida a estrutura disponibilizada permanece operacional”, comunicou a Vale. 

A empresa ainda mencionou que mantém diálogo constante com a Secretaria de Estado de Saúde de forma a assegurar que as instalações estejam funcionais e aptas para a operação de forma satisfatória. “A Vale aguarda manifestação da SES-MG e da Fiocruz para formalização da entrega e prosseguimento para a fase de operação definitiva da Biofábrica Wolbachia”, conclui.

Como funciona a Wolbachia

A bactéria Wolbachia é um microrganismo intracelular presente em 60% dos insetos da natureza, mas não no Aedes aegypti. Quando presente nestes mosquitos, ela impede que os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana se desenvolvam dentro do mosquito, contribuindo para redução destas doenças.

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Quando são liberados no ambiente, os mosquitos com Wolbachia se reproduzem com mosquitos presentes na natureza e ajudam a criar uma nova geração de insetos com a bactéria. Com o tempo, a porcentagem de mosquitos que carregam o microrganismo aumenta, até que permaneça alta sem a necessidade de novas liberações.

Insetário em BH

Em BH, mosquitos com o mesmo método são produzidos no Insetário da Prefeitura (PBH), em parceria com a Fiocruz-Minas. De acordo com a administração, o município é um dos pioneiros na implantação dessa tecnologia, e foi o primeiro do país a ter um insetário próprio, construído com recursos da administração municipal.

As solturas começaram em 2020 e desde o início do projeto já foram liberados cerca de 59 milhões de mosquitos com a bactéria. As ações foram realizadas em todas as nove regiões da capital mineira. Os mosquitos são coletados periodicamente e enviados para triagem e análise nos laboratórios da Fiocruz, onde são avaliados se estão com a Wolbachia.

*Estagiária sob supervisão do subeditor Gabriel Felice

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