Mistura de subúrbio e folia no Tchanzinho Zona Norte
Bateria contará com 120 pessoas, além de 50 na ala de dança. Bloco, que chega a 12 anos, promete agitar público com hits dos anos 1990 e 2000
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Siga noLuz na passarela, que lá vem ela! O Tchanzinho Zona Norte, que carrega no nome homenagens ao grupo de pagode baiano “É o Tchan!” e ao local de surgimento do bloco, chega aos 12 anos de vida neste carnaval de BH com uma personalidade própria, construída ao longo de uma década de folia. O desfile oficial do Tchanzinho está marcado para a manhã do sábado de carnaval (1º/3), na Avenida dos Andradas, no Centro, mas o conjunto já deu as caras em um primeiro cortejo realizado pelas ruas dos bairros Jaraguá e Dona Clara, no último dia 15/2.
A explicação para o duplo desfile, segundo contou ao Estado de Minas uma das fundadoras do bloco, Laila Heringer, é de que o Tchanzinho se tornou tão grande que as ruas por onde o bloco desfilava se tornaram apertadas. Já não tinha espaço para dançar o Tchan e a Dança do Tchu Tchu. A solução foi criar um evento menor no pré-carnaval, com concentração na Avenida Sebastião de Brito, e levar o grande desfile para um local mais adequado, no Centro.
Os desfiles do bloco começaram em 2013 com um trajeto peculiar. “A gente saía da Praça Manuel dos Reis Filho, descia a Av. Sebastião de Brito, pegava o metrô na Estação Primeiro de Maio, descia no Santa Tereza e ia até a Praça Duque de Caxias”, detalha Laila. Segundo ela, este traçado tinha um sentido estético e retratava a realidade de quem mora na periferia. “A gente anda, anda, anda, pega o transporte coletivo, anda, anda, anda, e chega onde quer chegar. Foi um negócio pensado”, conta.
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Essa mistura do subúrbio com a folia mostrou seu charme e logo deu liga. Tanto que a luta por um transporte público que atenda aos moradores dos bairros distantes no carnaval se tornou parte do Tchanzinho. “Quando nós e outros blocos começamos a sair, a BHTrans não se preparava para fechar vias e para desviar as linhas de ônibus. A gente saía e não tinha como voltar, porque não sabia onde os ônibus iam passar. Por isso até nós íamos de metrô”, relata Laila.
Origem e legado
O Tchanzinho começou de forma despretensiosa. A ideia veio depois que Laila e o irmão curtiram um bloco como foliões em 2012 e perceberam que a folia na cidade engatinhava para se tornar algo grande. “Meu irmão comentou que o bloco estava muito bom e que seria incrível se tivesse no nosso bairro. Eu olhei pra ele e comecei a rir, porque era um absurdo. Era claro que ninguém ia fazer bloco aqui no bairro”, conta Laila.
Os irmãos pegaram a ideia pelo braço e, depois de doze meses, veio o resultado. No ano seguinte, o Tchanzinho debutou e só cresceu ano após ano. Em 2017, devido ao tamanho do público, o trajeto deixou de abarcar o metrô. Dois anos depois, foi a vez de levar o bloco para o entorno do Mineirão. No carnaval do ano passado, o palco foi a Avenida dos Andradas, na estreia da chamada rua sonorizada. Torres de som instaladas ao longo da via amplificam o som dos trios elétricos e permitem que os foliões quebrem aqui, quebrem acolá, sem se amontoar perto das baterias.
A experiência foi um sucesso, conta Laila, e a vontade é fazer um desfile ainda melhor este ano. Para tanto, foi feita uma preparação especial, com a promoção de uma oficina para os músicos, iniciada em julho passado. “A gente entendeu que precisava de uma formação continuada dos percussionistas para que a gente chegasse no carnaval com uma bateria mais afiada, mais preparada”, explica. Na bateria deste ano, serão 120 pessoas, além de outras 50 na ala de dança.
Outra novidade para este carnaval é o lançamento de duas músicas próprias. A faixa “Me encontra na rua”, já disponível nas plataformas de música, traz referências à mineiridade e à folia belo-horizontina. A sonoridade é bem diferente das músicas do “É o Tchan!”, que caracterizam o bloco, mas promete fazer a bicharada ficar toda assanhada.
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A produção autoral é uma das características marcantes do Tchanzinho, construída ao longo dos anos, cita Laila Heringer. Entre outras marcas enumeradas, está a promoção de um ambiente amigável às mulheres. Tanto que, desde o primeiro cortejo, o bloco promove campanhas de conscientização contra o assédio e para a desconstrução dos padrões de beleza. “A gente sempre comunica e incentiva que as pessoas utilizem roupas que se sintam confortáveis, e que elas não precisem ser padrão de beleza. Todo corpo é bonito”, defende.
Outro ponto citado por Laila são as discussões éticas. A tônica do desfile deste ano, inclusive, será “Tchanzinho, agora vAI”, sendo uma referência à inteligência artificial - que em inglês, recebe a sigla AI. “Vamos tratar sobre como podemos usá-la a nosso favor ou como ela pode nos escravizar. Dependendo de como usamos, podemos dar informações ou conhecimentos para a inteligência artificial nos dominar”, conclui.