Jovem é preso em BH suspeito de apologia ao nazismo
Na casa do homem, a polícia encontrou vasto conteúdo nazista, além de touca ninja e armas de air soft. O jovem é suspeito de reunir indivíduos para o grupo
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Siga noUm homem de 21 anos foi preso de forma temporária na região da Pampulha, em Belo Horizonte, suspeito de possuir e compartilhar em redes sociais conteúdo envolvendo apologia ao nazismo. A informação foi repassada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) em coletiva realizada nesta quinta-feira (27/2). De acordo com a polícia, o indivíduo é suspeito ainda de reunir pessoas para um grupo de propagação desses conteúdos.
O jovem, branco, é natural do estado de São Paulo e morava com a bisavó, o avô e o pai em Belo Horizonte. A prisão aconteceu nessa quarta-feira (26/2). No mesmo dia, um mandado de busca também foi cumprido. No local, a polícia apreendeu itens como livros de autores terroristas, fardamentos militares, rádios comunicadores, munições, touca ninja, armas de air soft e adesivos com símbolos nazistas como a suástica e de tropas de Hitler.
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Na casa também foram encontrados eletrônicos como computador, pen drive, celular e HD externo, utilizados também para possível impressão de materiais nazista. “A gente também pode constatar no local equipamentos, como computador, que eram utilizados para reproduzir esses objetos, para poder imprimi-los e serem fixados em armamento de airsoft, em capacete e em fardamento”, detalha o delegado 1° delegacia especializada investigação de crimes cibernéticos, Arthur Martins.
De acordo com o titular da delegacia especializada investigação de crimes cibernéticos, um dos livros encontrados na casa tinha como autor um indivíduo que enviava cartas com bomba por correio para as vítimas. A ação foi realizada com apoio da Polícia Civil de São Paulo, onde foi cumprido um mandado de busca na casa da mãe do suspeito, na cidade de Valinhos.
Em relação às acusações, o suspeito, que não tinha passagem policial, alegou que possuía os objetos por fazer parte de um grupo para a prática de airsoft. Ainda segundo a Polícia Civil, o indivíduo informou que utilizava esses itens quando encenava momentos da Segunda Guerra Mundial. O suspeito admitiu a veiculação de conteúdo de apologia ao nazismo nas redes sociais.
Investigações
As investigações descobriram que o grupo começou a atuar em 2023 e utilizava redes sociais como Instagram, grupos de Whatsapp e e-mail para propagar o conteúdo nazista e se reunir. De acordo com o delegado do caso, as investigações começaram a partir de monitoramento de redes e informações da inteligência policial.
“A gente obteve as informações de que indivíduos, se valendo de redes sociais, estariam, desde meados de 2023, propagando conteúdo de apologia ao nazismo e conclamando outros indivíduos a se filiarem a esse grupo. Momento em que nós iniciamos as diligências policiais para poder identificar e qualificar quem seria esse sujeito que estava propagando esses ideais discriminatórios. As diligências combinaram no cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência dele”, detalha Arthur Martins.
O delegado ainda informou que as investigações continuam a fim de identificar outros participantes do grupo. “As investigações continuam para tentar identificar os outros membros dessa associação criminosa para nós podermos, de fato, fazer com que todos eles sejam responsabilizados e punidos. (...) A internet não é um meio onde é admitida propagação de qualquer conteúdo de ódio”, afirma Martins.
Ainda segundo Martins, até o momento não foi identificado o planejamento de nenhuma ação organizada pelo grupo. “Todo esse material foi arrecadado na quarta. Então, a gente vai submeter à perícia, à extração forense para poder identificar, mas a princípio não teria algum ato específico já combinado por eles. A gente identificou de início que eles se reuniam, se encontravam, ainda que virtualmente, para poder propagar esse conteúdo, mas um ato mesmo com uma data específica não foi identificado”, finaliza.
Prisão
De acordo com a Polícia Civil, o suspeito foi detido com base no artigo 288 do Código Penal, que remete a associação criminosa, além do crime previsto no artigo 20 da Lei 7.716/1989, sobre a prática de induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
*Estagiária sob supervisão do subeditor Gabriel Felice
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