Pai de criança que ingeriu cocaína na escola: ‘Acordou febril’
Criança de quatro anos ingeriu droga pensando que era doce. O caso aconteceu em Itamonte, no Sul de Minas, na tarde de sexta-feira (21/3)
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Siga noFamílias de crianças que ingeriram cocaína em escola municipal de Itamonte, no Sul de Minas, viveram momentos de preocupação com os filhos na tarde dessa sexta-feira (21/3). Cerca de vinte crianças de quatro e cinco anos ingeriram parte de papelote da droga depois que uma colega, também de quatro anos, ofereceu aos colegas achando que era doce.
Segundo a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), 20 crianças foram encaminhadas para atendimento hospitalar e, em seguida, liberadas aos familiares. O material foi apreendido, passou por análise e a polícia confirmou que o pó branco era cocaína.
“Crianças ingeriram sim a droga! A minha filha engoliu, ela não mente, nunca mentiu!”, desabafou o empresário Matheus Silva, pai de uma menina de quatro anos que ingeriu a substância, em rede social.
Em entrevista ao Estado de Minas, o empresário disse que a filha recebeu um dos papelotes dado por uma colega: “A minha filha confirmou pra gente que uma colega dela entregou a droga, ela colocou na boca e engoliu”.
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Felizmente, a menina não sofreu consequências da ingestão da substância. “Ela não teve nenhuma reação, nenhum problema. Hoje ela acordou febril, mas rapidinho ficou bem. Acredito que ela ficou assim pelo ‘nervoso’ de toda a situação”, contou o pai.
Matheus recebeu a notícia da possível intoxicação pela diretoria da escola. “Recebemos uma ligação da direção da escola pedindo que a gente comparecesse lá e, quando a gente compareceu, estavam Conselho Tutelar, Secretaria de Educação, Polícia, todo mundo, e eles nos informaram que foi encontrada na mochila de uma das crianças um envelope com pó branco e eles acharam que era cocaína, e a Polícia confirmou que era”.
“Todos os pais compareceram na escola e foi orientado que a gente levasse as crianças até o hospital para comprovar e saber se estava tudo bem. Foi feito exame toxicológico por um laboratório de Taubaté, colheram a urina das crianças aqui e ontem mesmo o prefeito entrou em contato com a gente”, relatou.
Segundo Matheus, dois dos exames das crianças tiveram resultado inconclusivo, mas os pais não sabem de quem, uma vez que o laudo foi direto à Polícia. “Todos os outros (18) contaram como negativo, sem nada no organismo, estão todas bem”, contou, aliviado.
O pai contou que a família é nova na cidade e não conhece a família da menina apontada como a responsável por levar a droga na escola. Ainda de acordo com ele, todos os responsáveis pelas crianças estão preocupados.
Entenda o caso
A Polícia Militar de Minas Gerais informou que uma professora chamou a corporação após ouvir duas alunas dizendo que o “papelzinho” que uma colega tinha dado estava ruim. Quando a professora pediu para a criança mostrar o que a amiga lhe deu, a menina mostrou um objeto parecido com um papelote de droga.
A professora perguntou à menina e ela disse que os pacotes estavam na casa do pai e que ele havia dado para ela. A criança e o “papelzinho” foram levados para a diretoria. Depois, a professora encontrou mais seis pacotes na mochila e nove debaixo da cadeira. Segundo a polícia, sete pacotes estavam cheios e lacrados, e nove estavam parcialmente usados.
O pai da criança foi até a escola antes da polícia ser chamada. No local, ele tirou o produto da mão de uma coordenadora e fugiu. Pouco depois, o tio da criança chegou, desacatou duas conselheiras tutelares e levou a sobrinha embora. Ele foi encaminhado para a delegacia onde assinou Termo Circunstancial de Ocorrência (TCO) e foi liberado.
A polícia realizou buscas para localizar e prender o pai da criança, mas até a publicação desta matéria, ele ainda não havia sido encontrado.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Itamonte informou que mobilizou uma força-tarefa para atender o caso das crianças que confundiram droga com doce. O gabinete municipal atuou em conjunto com as polícias Civil e Militar, o Conselho Tutelar, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e psicólogos.
O prefeito acompanhou a situação pessoalmente, garantindo apoio médico extra e ambulâncias de prontidão para emergências. Além disso, foi oferecido lanche e suporte psicológico às famílias envolvidas. O município segue acompanhando o caso e prestando apoio às famílias.
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Por precaução, a médica de plantão recomendou a realização de testes toxicológicos, mas não havia disponibilidade imediata em cidades vizinhas. A prefeitura, então, acionou o laboratório Oswaldo Cruz, em Taubaté (SP), que estendeu seu atendimento para realizar a coleta no mesmo dia. Os exames confirmaram que nenhuma das crianças havia ingerido a substância.