SAÚDE

Funed volta a fabricar soros hiperimunes e garante autossuficiência no país

Produção de soros para tratamento de picadas de animais peçonhentos estava paralisada na fábrica da fundação desde 2016

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O retorno das atividades da Fábrica de Produção de Soros Hiperimunes, da Fundação Ezequiel Dias (Funed), localizada no Bairro Gameleira, na Região Oeste de BH, representa um apoio para o Instituto Butantã, único fabricante do antídoto no Brasil. A fabricação de soros estava paralisada desde 2016, quando a fábrica foi fechada para adequações técnicas às Normas de Boas Práticas de Fabricação.

“A Funed volta a salvar vidas, do Oiapoque ao Chuí, nesse país”, disse o presidente da Funed, Felipe Attiê. “Depois de quase uma década fechada, nós conseguimos recobrar a autorização da Anvisa para voltar a produzir e vamos passar para a fábrica cinco daqui a três anos, aumentando ainda mais a produção”, completa.

Segundo dados do DataSus, Minas Gerais foi o segundo estado com maior número de incidentes envolvendo animais peçonhentos, como aranhas, cobras e escorpiões, em 2023, com 56.897 casos registrados. O estado fica atrás somente de São Paulo, com 69.892.

Entre janeiro de 2023 e março de 2025 foram notificados em Minas Gerais 126.999 casos de acidentes por animais peçonhentos, conforme informou a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN),


A Funed passou pela aquisição de novos equipamentos e investiu na capacitação dos funcionários. No final de 2024 conseguiu a autorização da Anvisa. Com a retomada, a fábrica tem a capacidade de produzir 150 mil ampolas anualmente, o que garante, junto com o Instituto Butantã, a autossuficiência do Brasil.

“Nós estamos tendo hoje a satisfação de iniciarmos a produção de soro que vai atender não só Minas Gerais como todo o Brasil e até mesmo países da América Latina que precisam desse soro para salvar vidas”, declarou Romeu Zema durante a cerimônia.

A previsão de entrega do primeiro lote de ampolas é agosto deste ano. Inicialmente, a Funed vai representar 30% da produção nacional, podendo ser ampliada futuramente. A expectativa é que a fábrica 5 da Fundação, construída entre 2005 e 2011 e que nunca funcionou, entre em atividade em 2028.

Segundo o Secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, já há um contrato de compra do soro com o estado do Paraná e interesse da Organização Pan-Americana de Saúde em adquirir o imunizante mineiro.

No momento, a Funed possui registro para a produção de oito tipos de soros, entre eles os antipeçonhentos (antiofídicos e antiescorpiônicos), antitóxicos (antitetânico) e antivirais (antirrábico). Em 2025, a previsão é produzir soros antibotrópico (pentavalente), anticrotálico (cascáveis) e antiescorpiônico.

Como é feito o soro?

Felipe Attiê explicou que o processo de fabricação do soro passa pela Fazenda Experimental São Judas Tadeu, em Betim, na Grande BH. O veneno do animal peçonhento é inicialmente injetado em cavalos, que produzirá anticorpos. Depois o sangue é retirado do animal e o plasma é separado dos outros componentes por meio de centrífugas. Então o plasma é processado, os anticorpos são extraídos e levados para a fábrica no Gameleira para a fabricação do produto final. 

Depois de testes de viabilidade, conformidade e contaminação, o soro é colocado em ampolas e distribuído por todo o Brasil. Recentemente, a Funed recebeu 24 cavalos da Polícia Militar, totalizando 150 animais à disposição da fábrica.

“O cavalo é um animal muito forte. Ele tem um sistema imunológico capaz de receber uma picada de uma cascavel e não morrer, mas produzir anticorpos. Um ser humano raramente sobrevive”, afirmou Attiê.

Ampliando a capacidade

Para o futuro, a Funed pretende expandir a capacidade de fabricação de soros com a reativação da Fábrica 5, que é maior e mais moderna que a unidade da Gameleira, construída na década de 1960. A instalação, que começou a ser construída em 2006, foi concluída em 2011 mas nunca funcionou, pois foi identificada uma contaminação na água e, por isso, não estava apta para fabricação de injetáveis. De acordo com o presidente da Funed, a previsão é retomar as atividades no local em 2028.

“É a mesma coisa de ter uma fábrica de pneus sem borracha. Nunca produziu nada. Daqui a dois meses vamos conseguir a certificação da qualidade da água: nada de fungo, de bactéria, de vírus ou de sais. Vamos fazer a transferência dessa fábrica, que é antiga, para a fábrica cinco, que é mais moderna”, explica Attiê.

Ele defende a mudança da natureza jurídica da Funed, que é uma fundação pública de direito público, para modelos que considera mais eficientes, como a Fiocruz, que é uma fundação autárquica de direito público. Dessa forma, seria possível utilizar recursos ou mão de obra privados para melhorar a eficiência da Fundação. 

A ideia é apoiada pelo governo estadual. Durante a cerimônia, o vice-governador Mateus Simões (Novo), divulgou que foi contratado um estudo para definir o melhor modelo de funcionamento para a fundação: “a Funed não consegue ter a agilidade que a Fiocruz, por exemplo, tem, porque a Fiocruz utiliza um braço privado para produzir medicamentos”.

Segundo Simões, a consultoria deve ter início em maio com previsão de resultados para o segundo semestre. Então, uma proposta será encaminhada para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais para avaliação.  

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