FEMINICÍDIO

Homem jogou namorada do 13° andar em BH, conclui PCMG

A perícia constatou que havia ferimentos no corpo de Polyana que eram incompatíveis com a queda, ou seja, ela sofreu hematomas e ferimentos antes de ser jogada

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A Polícia Civil (PCMG) concluiu o inquérito sobre o feminicídio que teve como vítima a estudante Polyana Wolcow Guimarães, de 21 anos, jogada do 13º andar de um prédio na Avenida Augusto de Lima, em Belo Horizonte, pelo então namorado, Joel Júnior Alves, Gaspar, de 47 anos, que está preso preventivamente. Ele vai responder por feminicídio e tráfico de drogas. 

“Joel era motorista de aplicativo, mas tinha um apartamento no Centro, alugava quartos para estudantes, sempre mulheres, seu alvo incondicional”, conta a delegada Iara França, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ela explica que, no início das investigações, Joel aparecia como "bonzinho" e dizia que Polyana era viciada em cocaína e que pensava em acabar com a própria vida, em virtude de ter escolhido ser prostituta.

Essa foi, segundo o delegado chefe do DHPP, Adriano Soares, uma investigação bastante complexa, pois o autor sempre falseava o crime. Apesar disso, para a polícia, foi ele o responsável pela morte da jovem.

As mentiras

“Joel falava que Polyana estava triste pela vida que escolhera”, afirma a delegada Iara. As investigações mostraram que ele tinha por hábito atrair estudantes mulheres para alugar quartos no apartamento onde residia. “Para isso, cobrava um aluguel baixo, bem inferior ao mercado”. Dessa maneira, ele conseguiu atrair uma estudante de medicina.

Durante uma corrida de aplicativo ele conheceu Polyana e conseguiu persuadi-la a ir morar no seu apartamento. Aos poucos, segundo a policial, ele foi se aproximando e começaram a namorar.

“Só que Polyana, que é do interior e tem um filho de quase seis anos, fruto de relacionamento com outro homem, que é quem cuida da criança, optou por conseguir dinheiro para comprar um apartamento e viver com o filho. Daí, tornou-se garota de programa”, conta a delegada.

Polyana chegava a fazer quatro programas por dia na capital, período em que passou a ganhar mais dinheiro. “Aos poucos, Joel foi deixando de trabalhar como motorista de aplicativo, e passou a sugar o dinheiro de Polyana”, conta a policial.

Joel também tinha ciúmes de Polyana e passou a exigir que ela fizesse apenas um programa por dia. “As brigas entre eles se tornaram constantes”, complementa a delegada.

Drogas

Conforme a investigação, tanto Joel quanto Polyana eram usuários de drogas, mais comumente, cocaína. “Ele era um usuário contumaz. Ela, apenas de maneira recreativa”.

Mas dias antes da morte, a situação se tornou bastante complicada, pois Joel passou a dopar Polyana. “Ela percebeu e reclamou, questionando-o sobre qual motivo para ele querer que ela ficasse dopada o tempo todo”. Esse teria sido o estopim maior para o crime, pois foi depois desse desentendimento que ela foi assassinada.

Provas

No dia do crime, segundo conta a delegada Iara, Joel afirmou que não estava em casa no momento que Polyana se atirou da janela. “Ele disse que os dois tinham discutido, que ele decidiu deixar o apartamento, e que depois disso ela teria se matado", diz Iara França.

Porém, provas obtidas derrubaram a tese apresentada por Joel. “Imagens de uma câmera de vídeo mostram Joel subindo e descendo a escada e descartando um material na lixeira do prédio. Ele estava descartando provas, o que se confirmou mais tarde, pois foi encontrada cocaína na lixeira”.

Outro detalhe importante, segundo a delegada, é que Joel, em momento algum, foi até o local onde estava o corpo, uma área privativa de um apartamento. Em vez disso, ele ficou indo e voltando ao apartamento para retirar material que poderia servir de prova, como a droga, tudo descartado na lixeira”.

Conforme a delegada, Joel disse que Polyana teria chutado a porta de entrada do apartamento assim que ele deixou o local. No entanto, a porta do quarto onde Polyana ficava é que tinha sido aberta a pontapés. “Pedaços do reboco no entorno do portal estavam estufados e parte caiu no chão, o que comprova que ele teria forçado a entrada no quarto.”

A perícia constatou que havia ferimentos no corpo de Polyana que eram incompatíveis com a queda, ou seja, ela sofreu hematomas e ferimentos antes de ser jogada.

Testemunhas

Segundo a delegada, uma estudante de medicina que residia no apartamento contou que estava de plantão naquela noite. “Ela disse que chegou em casa, não viu nada de anormal e que foi para seu quarto, deitando e dormindo”, conta.

Outros testemunhos importantes no caso são de amigas e colegas de trabalho de Polyana, que contaram que ela havia dito que, naquele sábado, iria para casa e que na segunda-feira deixaria o local.

“Ele chegou a se referir a Joel como sendo seu 'Boylixo', e que não aguentava mais, pois estava enlouquecendo”, conta a delegada. Polyana dizia que iria morar com uma colega.

Os policiais também ouviram vítimas que foram assediadas por Joel e a delegada Iara diz que procura por mais. “Qualquer pessoa pode nos procurar no DHPP, na Avenida Antônio Carlos, 901, Bairro São Cristóvão. Isso ajudará ainda mais na apuração do caso”.

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