Vacina brasileira contra malária avança, e ministro defende ciência na UFMG
Em visita ao CTVacinas da UFMG, Alexandre Padilha defendeu a produção nacional de vacinas para garantir a soberania tecnológica e sanitária do país
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Com o avanço da Vivaxin, vacina 100% brasileira contra a malária, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou neste sábado (10/10) o CTVacinas da UFMG, em Belo Horizonte, e destacou a importância da produção nacional de imunizantes para a autonomia do país.
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De acordo com Padilha, a doença já causou um milhão de casos, mas, nos últimos anos, o número de registros e de óbitos teve uma queda expressiva. Entre a população indígena Yanomami, a redução foi de 60%. Embora a diminuição de notificações seja notória, o Brasil registrou 118.617 casos somente em 2025, o que evidencia a necessidade de fortalecer a produção de medicamentos e imunizantes.
"A malária ainda é um problema no Brasil e no mundo, especialmente com o avanço das mudanças climáticas que tendem a expandir a doença para lugares que antes não existiam", explica o médico e ministro Alexandre Padilha.
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Segundo o chefe da pasta, o avanço dos testes clínicos é importante para a vida das pessoas, pois se trata de uma vacina totalmente produzida no Brasil contra uma doença grave que também atinge outros países. A Vivaxin teve os testes em humanos autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta semana, abrindo caminho para uma possível nova estratégia de combate à doença no futuro.
Desenvolvida pelo CTVacinas da UFMG em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o laboratório Cristália, a vacina iniciou o estudo de fase 1 com 48 voluntários saudáveis para avaliar a segurança e a resposta imune. Se os testes avançarem com sucesso, o Ministério da Saúde projeta que o imunizante poderá ser um pilar fundamental para a meta brasileira de eliminar a transmissão local da doença até 2035.
Pesquisa e ciência brasileiras como referência
Durante a visita de Padilha ao CTVacinas, o ministro destacou, ainda, que o centro é "uma grande referência para o país" no que se refere à produção de imunizantes. Para o ministro, o avanço da Vivaxin também prepara o Brasil e garante ao país autonomia diante de possíveis pandemias futuras, uma vez que a pandemia de COVID-19 causou danos irreparáveis.
Padilha rebateu o negacionismo científico e a resistência às vacinas e afirmou acreditar na importância de investimentos expressivos em ciência e saúde:
"Ter centros como esses em universidades públicas, patentes e registros ligados a universidade pública dá mais soberania ao Brasil (...) é um avanço muito importante pois é mais uma arma contra a malária".
Segundo o fundador e coordenador do CTVacinas, Ricardo Gazzinelli, o avanço nas etapas do imunizante demonstra maior capacidade de produção fabril no país, além de assegurar o potencial de produção científica no Brasil.
"(A Vivaxin) consolida a atividade do Centro e, assim, avançamos e mostramos a capacidade da infraestrutura, além de mostrar a importância do Ministério da Saúde apoiar projetos como esses", reforça o cientista e coordenador do BH-TEC.
Gazzinelli reforça que a vacina visa ao controle e à eliminação da malária no Brasil. Os próximos passos buscam estudar a segurança, definir a dose e avaliar a capacidade de gerar resposta imune. Após a primeira e a segunda fases, ele explica, a terceira etapa pode durar de cinco a sete anos até a conclusão dos estudos.
Malária no Brasil
Ao contrário do que ocorre no continente africano, onde a doença é causada pelo parasita Plasmodium falciparum, a malária no Brasil — sobretudo na região amazônica — é causada pelo Plasmodium vivax. De acordo com o Ministério da Saúde, as vacinas da Organização Mundial da Saúde (OMS) foram desenvolvidas para combater a malária causada pelo parasita predominante na África.
Segundo o Ministério da Saúde, atualmente, o controle da doença no país é feito por meio de diagnóstico rápido, controle de vetores e tratamento gratuito oferecido pelo SUS. Em 2026, a incorporação de novos medicamentos inovadores ajudou o Brasil a registrar quedas expressivas no número de casos.
Investimento e projetos
Com incentivo previsto de R$ 12 milhões do Ministério da Saúde, estudo clínico de fase I avaliará a segurança da vacina, possíveis reações à aplicação e a capacidade de estimular uma resposta imunológica em 48 participantes sem infecção prévia, com idades entre 18 e 59 anos. O acompanhamento clínico será feito por 360 dias.
Além da vacina contra a malária, o CTVacinas atua em outros projetos: uma plataforma de testes rápidos para diagnóstico de emergências sanitárias e agravos críticos para o SUS e sua validação por meio da produção de um TR para hepatite delta; vacina terapêutica para doença de Chagas; desenvolvimento de testes diagnósticos para malária e leishmaniose tegumentar; vacina para Mpox baseada no vírus MVA; e vacina nasal de nanopartículas, para o controle da covid-19.
Também foi firmado neste sábado um acordo entre a Hemobrás, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), a FarmaVax, unidade Embrapii de Inovação de Fármacos e Vacinas da UFMG – da qual o CTVacinas faz parte – e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep) para pesquisa, desenvolvimento e inovação.
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O projeto, com investimento de R$ 5 milhões e vigência de 12 meses, prevê o desenvolvimento de terapia genética para hemofilias A e B utilizando sistemas avançados de entrega por nanopartículas. Do total, R$ 2,6 milhões serão aportados pela Hemobrás, R$ 1,6 milhão pela Embrapii e R$ 694 mil pela UFMG/FarmaVax.