A presidente pró-europeia da Geórgia, Salomé Zurabishvili, afirmou neste sábado (30), em entrevista à AFP, que se negará a renunciar a seu mandato que finaliza este ano até que sejam organizadas novas eleições legislativas neste país do Cáucaso mergulhado em uma grave crise política.

"Enquanto não houver novas eleições e um Parlamento que eleja um novo presidente, segundo novas regras, meu mandato continuará", declarou Zurabishvili.

O governo, por sua vez, pretende escolher o sucessor da presidente em 14 de dezembro.

Milhares de manifestantes voltaram a se manifestar na quarta-feira em Tbilisi, pela terceira noite consecutiva, para denunciar a decisão do governo de adiar as conversas sobre a adesão do país à União Europeia (UE).

Nos protestos deste sábado foram detidas mais de 100 pessoas.

A ex-república soviética entrou em uma crise política aguda desde que, no fim de outubro, o partido governante Sonho Georgiano proclamou sua vitória nas eleições legislativas.

Tanto a oposição quanto a presidente Zurabishvili afirmam que houve fraude no pleito.

A tensão aumentou na quinta-feira, quando o governo, acusado de deriva autoritária pró-russa, decidiu adiar até 2028 qualquer negociação de adesão à UE, mas assegurou que pretende que esta se torne efetiva até 2030.

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