Jovem celebra quatro anos de vida após transplante de medula óssea
Após diagnóstico de leucemia durante a pandemia, Mariana superou complicações graves e hoje leva uma vida plena, reforçando a importância do diagnóstico precoce
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Siga noEm março de 2021, em plena pandemia de COVID-19, a psicóloga Mariana Cunha Gonçalves, então com 20 anos, foi diagnosticada com leucemia mieloide aguda. Em apenas três meses, ela recebeu o diagnóstico e passou por um transplante de medula óssea, iniciando uma jornada marcada por desafios e superações. Quatro anos depois, Mariana comemora o que chama de seu “renascimento” e compartilha sua história durante o Fevereiro Laranja, campanha de conscientização sobre as leucemias e a importância do diagnóstico precoce.
O primeiro sintoma foi uma dor de garganta intensa, inicialmente atribuída a uma possível infecção por COVID-19. Um hemograma de rotina, no entanto, revelou a gravidade do quadro. O diagnóstico foi confirmado por um mielograma e, em apenas dois dias, Mariana soube que enfrentava um câncer agressivo no sangue. “O diagnóstico foi um choque, mas o rápido encaminhamento ao tratamento fez toda a diferença”, relembra. Na primeira fase do tratamento, a jovem ficou internada por 64 dias, sem sair do hospital ou receber visitas, devido à imunidade baixa e à pandemia
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A corrida contra o tempo começou no Hospital Integrado do Câncer Mater Dei, com sessões de quimioterapia de indução enquanto a equipe médica avaliava a necessidade do transplante de medula óssea (TMO). Sem doador 100% compatível no banco nacional, a solução veio da própria família. O pai de Mariana, com 50% de compatibilidade, tornou-se o doador.
Em 23 de junho de 2021, Mariana recebeu a nova medula. “É como se o paciente estivesse recebendo uma bolsa de sangue. A infusão da Mari foi bem tranquila, não teve nenhuma intercorrência durante a infusão. A próxima etapa era aguardar a “pega” da Medula. Enquanto isso, mais quimioterapia e muitos cuidados, já que o paciente fica sem imunidade”, explica a mãe, Norma Gazire Cunha. “Tudo estava correndo muito bem, a Mari estava muito animada, forçava para se alimentar, para ajudar a medula a se nutrir, fazia as caminhadas no corredor do hospital, até que um dia ela acordou com uma dor insuportável”, lembrou.

Apesar do sucesso inicial da infusão, vieram complicações graves: falência renal e hepática, devido à toxicidade das quimioterapias; sepse e internação em UTI. Vinte dias após o transplante, a medula “pegou”, mas Mariana ainda enfrentava grandes desafios, como a perda dos movimentos e da fala.
A recuperação foi lenta e cercada de incertezas. “Tivemos momentos em que a esperança parecia frágil, mas ela foi se reerguendo a cada pequena vitória”, conta a mãe. Mariana passou por fisioterapia, hemodiálise, fonoaudiologia e sessões de terapia ocupacional até recuperar a mobilidade e a fala.
Hoje, aos 24 anos, Mariana leva uma vida ativa: toca piano, frequenta academia e trabalha na área de Psicologia. “Voltar a tocar foi simbólico, como se eu estivesse retomando as rédeas da minha vida”, compartilha. Ela ainda se dedica à escrita de e-books sobre saúde mental, área que escolheu após a experiência pessoal.

A importância do diagnóstico precoce
A leucemia aguda é um câncer que afeta as células do sangue, levando à produção descontrolada de células imaturas na medula óssea. A hematologista Priscila Arcebispo Léo, coordenadora da Unidade de Transplante de Medula Óssea do Mater Dei Contorno, explica que o diagnóstico precoce é determinante para o sucesso do tratamento.
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“Os sintomas iniciais podem ser sutis e incluem cansaço extremo, infecções frequentes, sangramentos, febre sem causa aparente e perda de peso. Por serem inespecíficos, muitas vezes o paciente demora a buscar atendimento médico”, alerta a especialista.
O tratamento varia de acordo com o tipo de leucemia, a idade do paciente e o estado de saúde geral. Em casos como o de Mariana, o transplante de medula óssea é essencial. “Além da quimioterapia, o TMO amplia as chances de cura, especialmente quando realizado rapidamente após o diagnóstico”, acrescenta a hematologista.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a previsão para 2025 é de 11.500 novos casos de leucemia no Brasil. A campanha Fevereiro Laranja busca justamente conscientizar sobre os sinais da doença e a importância de doadores de medula óssea.
Esperança
Após nove meses entre internações e reabilitações, Mariana concluiu a graduação em Psicologia na UFMG e, hoje, compartilha sua história como forma de inspirar outras pessoas que enfrentam diagnósticos graves. “Passei por momentos de muita dor e medo, mas também vivi pequenos milagres. Hoje celebro a vida diariamente”, afirma.
Para quem está enfrentando a leucemia ou conhece alguém em tratamento, Mariana deixa um recado: “O caminho é difícil, mas não impossível. Apoio familiar, equipe médica dedicada e fé foram fundamentais para minha recuperação.”
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