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Um pedaço de goma mastigado há 5.700 anos preservou um genoma humano completo e até rastros de pato e avelã

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
22/09/2026
Em Entretenimento
O pequeno material preservou informações que normalmente seriam procuradas em ossos ou dentes

O pequeno material preservou informações que normalmente seriam procuradas em ossos ou dentes

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Uma goma de breu de bétula mastigada há 5.700 anos, encontrada no sul de Lolland, preservou um genoma humano completo.↓ Ver no artigo
O genoma indicou que a pessoa era uma mulher mais próxima de caçadores-coletores da Europa continental que dos grupos da Escandinávia central.↓ Ver no artigo
A amostra continha DNA de avelã e pato-real; mais de 50 mil leituras foram atribuídas à ave, possivelmente após uma refeição recente.↓ Ver no artigo

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Resumo da matéria
01
Genoma sem ossos
O breu mastigado preservou um genoma humano completo, algo obtido sem depender de restos ósseos ou dentes.
DNA antigo
02
Pistas de alimentação
A mesma amostra guardou DNA de avelã e pato-real, sinais que podem estar ligados a uma refeição recente.
Dieta
03
Cápsula biológica
Saliva, micróbios e material genético ficaram presos na massa de bétula por cerca de 5.700 anos.
Preservação

Uma massa escura mastigada na Idade da Pedra conservou informação que normalmente desapareceria por completo. A goma mastigada de 5.700 anos preservou um genoma humano inteiro, micróbios da boca e traços de avelã e pato, criando um retrato biológico raro sem depender de ossos ou dentes humanos preservados.

De que era feita essa goma mastigada de 5.700 anos?

A peça apareceu em uma área arqueológica no sul da ilha de Lolland. Ela é feita de breu de bétula, uma massa escura produzida pelo aquecimento da casca da árvore e usada na Pré-História como material adesivo.

Marcas de dentes mostram que esse material era mastigado. Uma hipótese é que a mastigação ajudasse a amolecer o breu antes do uso, mas também existem outras possibilidades. O ponto seguro é que a massa mastigada reteve saliva e material biológico por milênios.

Vestígios de alimentos ajudam a reconstruir parte do que aquela pessoa havia consumido

Como um genoma completo sobreviveu dentro do breu?

Publicado na Nature Communications, o estudo sequenciou um genoma humano antigo completo a partir da peça. Cerca de um terço das leituras de DNA obtidas pôde ser alinhado ao genoma humano de referência.

O breu funcionou como uma espécie de cápsula química. Os autores explicam que suas propriedades ajudaram a reduzir a degradação, preservando DNA humano e microbiano. Assim, a amostra trouxe informação genética sem que nenhum osso ou dente da pessoa fosse necessário.

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O que os rastros de pato e avelã realmente mostram?

A análise encontrou DNA de avelã e pato-real na mesma amostra. No caso da ave, mais de 50 mil leituras foram atribuídas ao pato-real. Esses sinais podem ter vindo de uma refeição recente antes de a pessoa mastigar o breu.

Os próprios autores tratam essa leitura com cuidado. O material vegetal e animal ajuda a estudar alimentação antiga, mas não funciona como cardápio completo. A presença de DNA alimentar registra apenas parte do que estava na boca naquele momento.

A seguir listamos quatro tipos de vestígio que ficaram presos na pequena porção de breu mastigado:

  • DNA humano: permitiu montar um genoma antigo completo a partir de um material que não era osso nem dente.
  • Micróbios da boca: ficaram preservados junto da saliva e ajudaram a reconstruir parte do microbioma oral.
  • Avelã: fragmentos de DNA vegetal podem refletir alimento presente pouco antes da mastigação.
  • Pato-real: milhares de leituras de DNA animal apontaram para a ave como outra possível pista alimentar.

Leia também: No alto da Serra do Mar, um vilarejo de cerâmica e neblina se tornou o maior polo de arte de São Paulo

O DNA preservado permitiu conhecer características de alguém que viveu milhares de anos atrás

Que informações o DNA permitiu reconstruir?

O genoma indicou que quem mastigou a peça era uma mulher geneticamente mais próxima de caçadores-coletores da Europa continental do que dos grupos da Escandinávia central analisados no estudo. Isso oferece uma janela sobre populações que viveram naquela região.

Os dados genéticos também permitiram estimar características físicas, com provável pele escura, cabelo castanho-escuro e olhos azuis. Essas reconstruções são inferências baseadas em variantes genéticas. O genoma completo também permitiu comparar ancestralidade e outros sinais biológicos.

A seguir listamos três leituras principais que mostram o alcance e também os limites da análise genética:

Logo EM Foco
DADOS EM FOCO
O que saiu do breu mastigado
Resumo dos tipos de evidência genética preservados na goma mastigada de 5.700 anos.
Evidência Resultado Limite da leitura
Genoma humano Sequência antiga completa Retrata uma pessoa, não toda a população
DNA alimentar Avelã e pato-real Pode refletir uma refeição recente
Microbioma oral Diversos micróbios da boca Mostra apenas o material preservado na amostra

Por que essa goma mastigada é tão importante?

A maior surpresa não foi apenas a idade da amostra, mas o tipo de material. Até então, genomas humanos antigos completos dependiam principalmente de restos corporais. A goma mastigada mostrou que um resíduo cotidiano também pode preservar informação genética muito detalhada.

Esse pequeno pedaço de breu reúne pessoa, boca e alimentação em uma única amostra. O DNA de 5.700 anos não conta toda a vida de quem o mastigou, mas conserva uma combinação rara de pistas que dificilmente sobreviveria separada por tantos milênios.

Sua história pode virar reportagem

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Tags: arqueologiaDNA antigoGenéticapré-história

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